Atlético Goianiense 0 X 3 Flamengo: covardia travestida de respeito

Atlético Goianiense/Divulgação
Atlético Goianiense/Divulgação

Mesmo jogando defensivamente, o Atlético Goianiense deveria ter uma outra postura em casa


O jogo de ontem foi uma imensa decepção para qualquer torcedor que se prestou ao serviço de finalizar seu dia de sábado em uma das cadeiras do Estádio Serra Dourada. E tenho uma grande certeza de que esse sentimento ruim não tem algo a ver com os três gols tomados contra o time do Flamengo. Tendo os cariocas um dos elencos mais qualificados do Brasil, apesar da recente eliminação na Libertadores, ninguém pode se dar ao luxo de dizer que tomar três gols do Flamengo seja um completo absurdo.

E isso é uma coisa que, ao meu ver, deve ser muito clara para os torcedores atleticanos. Sendo assim, a decepção se dá ao contexto e, principalmente à forma que uma nova goleada se acumula na vida do time recém-formado. Ontem era noite de reestreia, era noite de enfrentar um time pressionado com a frustração de uma eliminação recente e, principalmente, de perceber o funcionamento do nosso próximo desafio na Copa do Brasil. Não faltavam razões para que cada um dos onze jogadores rubro-negros estivessem mais do que motivados.

Contudo, o que foi observado na noite de ontem era um time tomado por um senso de respeito que de respeito não tinha nada. Aquilo era medo, covardia. Pode se dizer milhares de vezes que jogar no contra-ataque, estando em casa, seja coisa de time pequeno. Mas as coisas não são tão simples assim. Sendo cônscio de suas próprias limitações, deixar o time adversário ter a posse da bola pode ser uma estratégia muito inteligente. Basta ver como, nesta rodada, a fechada Chapecoense conseguiu vencer o Palmeiras jogando em casa.

Muito distante do que ocorreu na Arena Condá, os jogadores do Atlético encararam os jogadores flamenguistas como estivessem lidando com onze-Ronaldinhos-Gaúchos-jogando-pelo-Bracelona-na-temporada-2004/2005. O medo de preencher os espaços, de dar um bote contra os adversários era muito clara. A pequenez do time atuando defensivamente era ainda somada por uma série de contra-ataques desprovidos de qualquer tipo de inventividade, o auge da genialidade eram os chutes de fora da área que lembravam um jogo de várzea.

No fim das contas, os números e as situações concretas da partida se tornaram provas daquele fracasso. Em noventa minutos, o ataque do Atlético fez oito finalizações e nenhuma conseguiu atingir aquele retângulo de margens brancas, também conhecido como gol. Defensivamente, vamos ter que carregar a marca de ter levado um gol de um eterno ex-craque chamado Leandro Damião. Eu chego a ficar com pena de um defensor que tenha que carregar esse fato na carreira: “Bicho! Eu já tomei um gol do Leandro Damião.”. Haja terapia.

Mesmo convencido que Marcelo Cabo, tendo um elenco desses na mão, tenha sua missão caracterizada pelo artigo 189 da CLT – que versa sobre o trabalho insalubre – não consegui entender sua proposta de reação no jogo. Será que ele acredita que o problema do Jorginho seja de posicionamento? Atuando de forma completamente fantasmagórica, não sei qual o sentido de deixar ele mais quarenta e cinco minutos em campo. Afinal, se o critério de troca entre Felipe e Kléver foi meritocrático, que seja também para essa negação meio-campística.

Falando em goleiro, já podemos aqui dizer que Felipe deve ser ovacionado como o único jogador que se portou de forma minimamente digna. No meio daquele festival de erros primários e lentidão, ele encarou a difícil missão como ela deveria ser encarada. Não por acaso, no fim do jogo, teve moral suficiente para dizer em entrevista que ele tinha feito a sua parte. Mesmo que isso seja a mais pura verdade, sabemos que só a parte dele não basta para disputar uma série A.