A terceirização no Atlético Goianiense

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A diretoria atleticana deveria repensar sua postura ao falar pelo clube


No último dia 31 de março, o presidente Michel Temer sancionou a lei 13. 429, que ficou mais conhecida como “Lei de Terceirização”. Em suma, a nova lei aprovada deliberou que toda e qualquer tipo de atividade profissional seja terceirizada, independente se a atividade em questão tenha relação direta ou indireta com o produto principal ou serviço oferecido por uma empresa. É bem verdade que essa lei causou grande polêmica, já que o impacto da nova legislação ainda é uma tremenda incógnita.

É praticamente certo que essa nova lei não vai abrir caminho para que os clubes de futebol passem a terceirizar o processo de seleção e contratação de seus elencos. Seria completamente descabido imaginar que uma diretoria de futebol e uma comissão técnica abrissem mão de uma das ações que simplesmente determinam o sucesso, o fortalecimento de grupos políticos e a conquista de títulos importantes. No entanto, parece que essa moda da terceirização já habita o ambiente atleticano há algum tempo.

Mas que tipo de terceirização seria essa? No Atlético, convivemos com o estranho hábito de ver os dirigentes ‘terceirizando’ os problemas que marcam a temporada de 2017. Tudo começou nas primeiras rodadas do campeonato goiano, quando tiveram a pachorra de cobrar R$ 40 reais por um jogo da fase classificatória da competição. Qual foi o resultado disso? Menos de mil torcedores presentes. Quando perguntado à diretoria sobre, a quem foi atribuída a culpa? Ao torcedor, que supostamente teria a mania de não apoiar o seu time.

Acredito ser completamente desnecessário discutir o quão pedestre é um argumento dessa natureza. Enquanto a profissionalização e a modernização se tornam tendências crescentes no meio futebolístico – tendo entre seus maiores triunfos a criação dos programas de sócio torcedor – os gestores atleticanos vendem um argumento mistificador e moralista sobre um problema tão sério. Isso significa dizer que, se meu torcedor não vai ao jogo, a culpa só pode ser atribuída a ele e a mais ninguém, não preciso repensar em nada minhas decisões políticas.

Imaginei que esse estranho comportamento ficaria limitado a esse assunto específico, mas acabei sendo informado de um novo episódio de ‘terceirização’. Logo após a terceira derrota para o fraco time do Goiás, o presidente do conselho deliberativo, o deputado federal Jovair Arantes, protagonizou um verdadeiro festival de declarações infelizes. Disse que teríamos que ainda arrumar um time para jogar a Série A, que o time era desqualificado e repleto de uma série de peças que ele mesmo julgava serem péssimas.

Em certa medida, concordo com várias das colocações que ele realizou. Contudo, a nossas posições em relação ao Dragão são completamente diferentes. Eu sou torcedor e ponto final. Vou aos jogos, incentivo a equipe. Comemoro quando cabe comemorar, e corneto quando julgo ser necessário cornetar. Já ele e os demais dirigentes, por mais que também torçam, são os responsáveis diretos por aquilo que acontece no clube. Do porteiro ao centroavante, todos ali estão por causa daqueles que hoje gerem um dos mais tradicionais clubes de Goiás.

Sendo assim, passou da hora desse grupo dirigente se portar de forma mais clara e responsável quando assumem a função de representar o Atlético. Se os torcedores não vão aos jogos, eles devem ser os primeiros a enfrentar a questão de forma direta. Se o atual elenco não tem a qualidade técnica necessária, são eles que colocaram aquele plantel para vestir a camisa. Precisam abandonar, desde já, essa ‘terceirização’ dos problemas e assumir o desafio que resolveram encarar. Essa é a ‘atividade-fim’ dos dirigentes atleticanos, e sempre será.