O que queremos de Walter? Coragem

Divulgação/Atlético Goianiense
Divulgação/Atlético Goianiense

A chegada de Walter foi anunciada na tarde de hoje pela diretoria atleticana


Passadas tantas especulações, a diretoria atleticana finalmente sacramentou a contratação do atacante Walter. A primeira grande vantagem na negociação foi a de que o Goiás, 13º colocado da última Segundona, nos agraciou com um empréstimo que não custou nenhum real aos cofres atleticanos. Desse modo, ficamos somente com o encargo de bancarmos o salário do nosso mais novo atacante.

Pelo que parece, só a liberação é um fato concreto. Já os termos salariais que vão guiar a relação Walter/Atlético-GO ainda não estão claramente definidos. Questionado sobre tais aspectos, Adson Batista deu uma série de respostas evasivas. Não deixou claro se o atacante vai ter algum contrato de produtividade ,ou se o clube terá que operar algum tipo de milagre para pagar os mesmos R$ 250 mil por mês.

Além de ser enfático na ideia de que Walter se mostrou interessado em jogar pelo nosso clube, Adson citou experiências anteriores com outros atletas que já deram muito trabalho internamente. É bem verdade que o próprio incidente com o técnico Marcelo Cabo permite ele chegar a público e fazer esse tipo de afirmação. Contudo, acredito que o desafio possa ser o maior da carreira de Adson na condição de dirigente de futebol.

Não é de hoje que a postura do Walter aparece como um dos maiores problemas do jogador ao longo de sua carreira. Na passagem pelo Fluminense, por exemplo, foi capaz de exaltar o clube e – cinco dias depois – dizer que gostaria de deixar o clube. No caso de agressão recente, aconteceu a mesma coisa. Disse que se arrependeu do ato, mas Harlei – até então dirigente de futebol do Goiás – afirmou que o próprio jogador declarou não estar arrependido do que fez.

Olhando para um histórico desses, fica muito claro que o problema com o Walter não tem essa relação necessária com o número que aparece lá na balança. A questão dele é sobre o seu próprio comprometimento com uma equipe de futebol e, principalmente, sobre qual é o lugar que ele pode e deve assumir nas equipes pelas quais atua. É preciso que ele tenha clareza dessas coisas e, a partir disso, não vá mudar o seu discurso de forma tão fácil.

Mesmo considerando a chegada de Walter um enorme risco, sou levado a crer que a presença dele pode fazer com que o Atlético eleve o patamar das futuras contratações da equipe. Seja pelo destaque midiático que o time passa a ter com a chegada do atacante, seja pela necessidade de trazer jogadores que realmente possam fazer o nosso novo atacante jogar mais e melhor ao longo dessa temporada. 

Agora que não há como retroceder nessa escolha, torço muito para que o trabalho de recuperação física do jogador aconteça. Daqui até a estreia no Brasileirão, são exatos 60 dias para que o atleta tenha condições mínimas para figurar entre os titulares da equipe atleticana. Ao Walter e a todos os que estarão comprometidos nessa jornada de superação, deixo aqui um antigo provérbio espanhol, que diz: “O mundo é de Deus, mas Deus o aluga aos corajosos”.