Atlético-GO 1 x 2 Goiás: um clássico fora de órbita

Divulgação/Atlético Goianiense
Divulgação/Atlético Goianiense

Júnior Viçosa foi o retrato do destempero do time em campo


Uma partida de futebol funciona mais ou menos como o nosso sistema solar. Cada time ocupa uma posição e ambos estão orbitando em torno da bola. Dependendo do que se faz a certa altura da partida, a posição do time se altera, do mesmo jeito que a rotação de cada planeta interfere diretamente na noção de tempo de cada dia. Enquanto o dia terrestre dura 24 horas, por exemplo, o planeta Vênus simplesmente demora 2.802 horas para dar uma simples volta em torno do sol.

No segundo clássico contra o Goiás, disputado hoje pelo campeonato goiano, o time do Atlético era um desses planetas... só que completamente alheio a uma órbita minimamente compreensível. Os jogadores rubro-negros tiveram um comportamento bastante regular durante os 30 primeiros minutos. Uma linha defensiva muito bem composta e jogadas de ataque que passavam nos pés dos jogadores. Contudo, a necessidade de romper a tensão do clássico, fazendo o primeiro gol da partida, simplesmente não aconteceu.

Na hora de fazer o que era esperado, tivemos finalizações que pareciam vindas de um time de juvenis em começo de campeonato. Os três desperdícios cometidos por Abuda, Jorginho e Wanderson impediram com que a vantagem no placar retirasse o nervosismo da partida, permitindo um jogo mais cadenciado e cerebral. Além do zero no placar, essas oscilações da órbita atleticana abriram caminho para o gol esmeraldino. Ou seja, mesmo não atacando com a mesma qualidade, o Goiás foi melhor no momento que tinha a bola nos pés.

Do mesmo jeito que fez o gol certo no momento certo no primeiro tempo, o time do Goiás ampliou aos nove minutos do segundo. Se tratando de estadual – em um momento em que ambos os times ocupam a faixa classificatória de seus grupos – parecia que a partida teria mais trinta e poucos minutos de puro marasmo. Só que no tempo certo, o time do Goiás fica com um a menos e o Atlético, logo em seguida, faz um gol graças a um dia inspirado de Jorginho.

Com mais facilidade em ocupar mais espaços, o Atlético deveria continuar a ser a equipe que deveria propor o jogo. Mas sem aquela afobação de quem precisa do gol a qualquer custo. A inciativa de acelerar ou cadenciar a bola seria toda da equipe rubro-negra. Contudo, a teimosia em desrespeitar trajetórias lógicas incrivelmente voltou a assombrar a vida do time em campo. Sem a menor necessidade, Júnior Viçosa foi expulso em uma jogada de ataque.

Além de atiçar a velha insatisfação da torcida, Viçosa conseguiu desconstruir uma atuação que vinha sendo um tanto quanto satisfatória ao longo da partida. Não bastando o peso da inconsequência do seu ato, o atacante atleticano pode conseguir inflar os clamores de parte da torcida por uma contratação do Walter. O sujeito vinha crescendo e, por conta de um lance ridículo, pode vir a respaldar uma das contratações mais arriscadas da história recente do clube.

Não bastasse a falta de sobriedade desse planeta desnorteado chamado Atlético, o juiz resolveu virar o astro-rei da partida com a expulsão de Betinho. Estou falando de uma falta normal, que no máximo deveria seria advertida com amarelo, sendo transformada em expulsão já no tempo complementar da partida. Dessa forma, um jogo que tinha tudo para ser um dos melhores do campeonato, se resumiu a um espetáculo medíocre. E depois ainda perguntam porque os campeonatos estaduais são cada vez mais desinteressantes!

Mesmo com a derrota, ainda temos que admitir que o comportamento tático da equipe foi muito bom no tempo em que o jogo ainda poderia ser considerado normal. Quem cogitar algum tipo de questionamento do trabalho do Marcelo Cabo em um jogo sem importância como esse, não passa de um polemista barato querendo chamar a atenção para si.

P.S.: Apesar da derrota, gostaria de fazer uma pergunta para quem viu o jogo: “Quem é Léo Gamalho?”