Walter e Atlético-GO trilham caminhos incompatíveis

Site Oficial Atlético-PR
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No Atlético Paranaense, Walter teve uma grande chance de retomar a carreira


Desde o incidente com o atacante Walter, muito se especulou sobre qual seria o futuro do atleta. Recolocado a peso de ouro no Goiás, o jogador não foi o mesmo que apareceu em outros tempos. Lá nos idos de 2012, contrariando a lógica predominante do “futebol força”, o jogador ostentava medidas que faziam troça com a dita profissionalização do futebol. À revelia do peso registrado na balança, metia a bola para o fundo do gol e participava de jogadas ofensivas de forma muito inteligente.

A coisa chegou no limite do “Walter é seleção” e até os torcedores dos times rivais faziam coro com essa brincadeira, tamanha a sua peculiaridade. Em certa medida, essa história toda parecia um arquétipo da etapa final da carreira do Ronaldo Fenômeno, quando ele defendeu o Corinthians. No caso específico do Walter, o bom desempenho resultou em oportunidades em times de grande projeção, mas o futebol acabou não o acompanhando.

Dada a frustração, a última luz no fim do túnel ocorreria no Atlético Paranaense, que conseguiu fazer um trabalho de recuperação física notável com o atleta. Sem retomar o bom futebol, o jogador teve a imensa sorte de pegar o time de Goiás em uma situação de desespero no ano passado, quando o rebaixamento para a Série C assombrava. Nesse cenário de terra arrasada, Walter poderia construir uma narrativa de superação e redenção.

Só que não foi o caso. Os gols não vieram, os quilos voltaram e a reformulação de elenco do Goiás lançou o jogador em uma sombra que talvez ele jamais pensou ter que habitar no clube que justamente o projetou. Nessa hora, seria inevitável fazer uma coisa que é bastante rara no mundo do futebol: uma sincera autocrítica. Mais uma vez, outra frustração veio, agora manifestada com a agressão física deferida contra um colega de equipe.

Concretizada a rescisão de contrato, veio um forte rumor sobre a vinda de Walter para o Atlético Goianiense. Nessa hora, o histórico recente impele a maioria dos torcedores a rejeitarem essa ideia. De quebra, não deixam de fazer uma zoeira básica com os lendários pacotes de bolacha e litros de refrigerante que explicariam uma forma física que não cede aos treinos pesados que atualmente marcam o futebol. Por outro lado, acho que para ser diplomático, Adson Batista disse que gostaria de trabalhar com o jogador.

Acredito que o peso, a bolacha e os refrigerantes são os menores dos problemas do atacante Walter. Vejo ali a demanda por um processo de recuperação profundo, que exigiria paciência e dedicação de muitas pessoas. Hoje, se estivéssemos com um elenco estabilizado, e desde que não pesasse financeiramente aos cofres do clube, até acharia a proposta bem interessante. Jogadores que conseguem recolocar o corpo e o espírito em bom lugar, podem fazer muita diferença em um time.

Contudo, vejo que Walter e Atlético Goianiense estão trilhando caminhos muito incompatíveis nesse momento. É um jogador que precisa se recuperar e um time que está se recuperando. Na balança dessa possível relação, pelo menos um dos dois deveria estar bem, ser o esteio para que o outro pudesse vir a alcançar o patamar que deseja para si mesmo. Como sabemos que esse não é o caso, voltamos para a chamada desse texto. Walter? Agora não.