Atlético-GO e a blitz que veio de Iporá

Divulgação/Atlético Goianiense
Divulgação/Atlético Goianiense

O time do Atlético-GO não foi páreo para a marcação cerrada do Iporá


Cada partida traz um indício sobre uma equipe. Ontem, no empate sem gols contra o Iporá, foi um momento importante para abandonarmos as clássicas justificativas usadas para times que estão em processo de formação. Mas, até chegarmos a essa percepção, nos deparamos primeiro com uma escalação que parecia indicar algo de novo na equipe do Atlético.

Sem Jorginho, Marcelo Cabo escalou Negueba na armação e promoveu Wanderson à condição de titular na lateral-esquerda. As mexidas pareciam ser interessantes, principalmente com a possibilidade de se aproveitar a habilidade de Negueba para experimentarmos duas possíveis funções para um mesmo jogador. Mas o que poderia ser promissor no papel, não chegou nem perto da realidade.

O goleiro do Iporá não fez nenhuma defesa durante todo o primeiro tempo de partida, graças a uma eficiente marcação individual da sua equipe, que simplesmente impediu que o ataque atleticano fizesse qualquer esboço de jogada ofensiva. Como na partida contra o Vila Nova, o atacante Júnior Viçosa saiu de campo irritado. Já Willians, claramente alheio ao vexame passado, veio nos trazer uma grande novidade, dizendo que jogar bola não é fácil.

Mesmo achando a tranquilidade de Willians um completo absurdo, não acredito que ela seja um problema que se resuma ao comportamento do jogador. Vendo uma atuação tão pífia, não vejo sentido algum em manter o mesmo time durante quarenta e cinco minutos seguidos. De certo modo, Marcelo Cabo me lembrou os tempos em que Parreira e Zagallo foram técnicos da seleção brasileira. O time poderia estar horrível, mas a escalação ficava ali, intacta.

Não é de hoje que tenho muita desconfiança de técnico que acredita em esporro de vestiário como uma grande solução para equipe que joga mal. Sendo tão conservador em suas mexidas, do que adianta um técnico falar um monte no ouvido do jogador? Afinal, por mais que o corretivo seja pesado, ele tem uma certeza absoluta que vai estar entre os onze titulares na próxima partida.

Claro que nessa sinuca de bico, devemos levar em conta que um banco desanimador pode ser uma bela justificativa para isso. No entanto, se o discurso de time em formação foi tão repetido, deveríamos sacar os reservas e, principalmente, ver os meninos oriundos da base sendo sistematicamente experimentados. Se esse não é um momento ideal para fazer esse tipo de coisa, em pleno Goianão, eu não sei dizer qual seria.

Agora, depois de um empate – que só não virou derrota pela falta de perna dos jogadores do Iporá – estourou um cano de polêmicas e especulações sobre o futuro do time. Por um lado, a imprensa local já fica questionando a permanência do técnico no comando, ainda mais depois dele resolver ir fazer uma média no fim do jogo falando que a torcida “tem que vaiar mesmo” a equipe com a qual ele convive de domingo a domingo.

Por outro, já se fala em um novo pacotão de jogadores e uma possível lista de dispensas entre atletas que mal pisaram no clube. Não bastasse ser um time que não aguenta pressão do Iporá e que depende de um jogador tão irregular como o Jorginho, começamos a falar em soluções miraculosas para um ano que acabou de começar. Assim, resta a nós admitirmos uma coisa muito clara: vamos atravessar a temporada sem planejamento.

Ao fim do jogo, mesmo que bastante irritado, Adson Batista falou que já vivenciou esse tipo de situação no processo de organização da equipe atleticana. Isso pode até ser verdade, mas não há como achar normal um departamento de futebol errar tanto nas contratações e chegar anunciando um novo pacotão em menos de dois meses de bola rolando. Se alguém acha isso normal, deve estar esperando que apareça um bando de salvadores da pátria para depois do carnaval. Da minha parte, após a bizarrice que foi o jogo de ontem, já nem sei mais o que esperar.