Apesar de oscilações, Dragão vence o primeiro clássico

Divulgação/Atlético Goianiense
Divulgação/Atlético Goianiense

Wanderson foi uma peça chave para a primeira vitória atleticana em clássicos disputados em 2017


O returno do campeonato goiano trouxe a oportunidade de se fazer novas experimentações no time do Atlético. Conforme já tinha dito, o caráter experimental dessa competição deve ser um ponto de partida para separar o joio do trigo, ver quem está habilitado para continuar nesse elenco e quais as aquisições ainda deverão ser feitas pela nossa diretoria. Contudo, não foi isso que percebi ao ver a escalação do nosso time, no domingo, em clássico jogado contra o Vila Nova.

Nenhuma alteração significativa foi tentada, com exceção à alternância entre Abuda e Betinho na função de segundo volante. Ao meu ver, a lógica de formação de equipe impressa por Marcelo Cabo se pauta por uma máxima repetição da escalação. Em entrevista dada após o jogo, ele frisou bastante que o trabalho interno foi muito intenso e que tem ampla confiança no trabalho de Adson Batista. Pelo visto, ao escutarmos a fala de forma uma pouco mais atenta, desconfiamos que a própria comissão espera por novas peças.

Apesar de concordar com esse aspecto interno e subjetivo do trabalho em equipe, acredito que nosso técnico poderia experimentar um pouco mais com o que já tem em mãos. No jogo contra o Itumbiara, apesar dos pesares, tivemos uma atuação bem interessante do meia-esquerda Wanderson e do atacante Negueba. Já que nossa falta de gols ainda não tem uma solução em vista, esse era o momento exato de tentar algo de diferente.

Talvez pela pressão de ter perdido os dois primeiros clássicos do ano, Cabo optou por uma gestão mais conservadora para o time que entraria em campo nesse último domingo. Mesmo entendendo essa possível motivação, vimos que o comando atleticano pagou um preço muito por essa decisão. No setor esquerdo, o Vila Nova contou com uma imensa avenida para construir uma quantidade significativa de suas jogadas.

Ao mesmo tempo que a pressão adversária castigava o Atlético, tínhamos um bolo de jogadores completamente desorientados na faixa central do campo. Por um lado, conseguíamos fazer a obstrução de jogadas que poderia deixar a zaga atleticana em maus lençóis. Por outro, o alto número de passes errados deixou o setor ofensivo muito isolado, causando uma nítida sensação de incômodo que foi expressa pela fala nervosa de Júnior Viçosa, no intervalo de jogo. Questionado sobre a atuação do time, ele foi direto e reto:

“FALTOU TUDO!”

A fala ríspida deve ter de algum modo ecoado nos ouvidos de Marcelo Cabo, que resolveu colocar justamente os dois jogadores que mereciam mais espaço nessa equipe. Buscando uma proposta ousada, ele sacou um volante (Silva) e um lateral (Bruno Pacheco), para acionar Negueba e Wanderson. Com outra disposição tática, a equipe atleticana teve um rendimento melhor e, depois de uma clara pressão, conseguiu o gol da vitória em uma cobrança de falta primorosa de Wanderson.

Conquistando o gol aos vinte minutos, o Atlético teve maior tranquilidade para cadenciar o jogo e conter a pressão da equipe vilanovense. Além disso, os jogadores atleticanos começaram a fazer uma cera danada, que acabou sendo punida pelo juiz com um acréscimo de sete minutos adicionais. Já na casa dos 40 minutos, foi o momento do goleiro Kléver se reafirmar como o titular na meta atleticana. Em dois lances mortais, ele mostrou reflexo para garantirmos os três pontos na capanga e a nossa primeira vitória em clássicos.

Ainda que valorizando a união, acredito que Marcelo Cabo não pode resumir a formação de um elenco à insistência na titularidade de determinadas peças. Com orçamento grande ou pequeno, a função primordial do técnico deve ser a de convencer seus jogadores tanto da sua permanência, quanto da necessidade de saída. Mesmo essa sendo uma das piores partidas do time no ano, a mudança de postura no segundo tempo e a forma de obtenção da vitória talvez alertem Marcelo sobre essa falta de mudança entre nossos onze titulares.