Atlético-GO: um filme ruim com bons atores

Divulgação/Atlético Goianiense
Divulgação/Atlético Goianiense

Willians foi um dos destaques na derrota contra o Vila Nova


A abertura do Goianão 2017 aconteceu com a realização do clássico Atlético-GO e Vila Nova, neste último sábado, no Estádio Serra Dourada. De cada lado, tínhamos expectativas diferentes, bastante norteadas pelo desempenho das equipes em suas respectivas pré-temporadas.

De um lado, a torcida vilanovense vinha empolgada com o jogo pegado e a vitória contra o Flamengo, que promete ser uma das equipes mais competitivas dessa temporada. Do outro, o Dragão trazia as recentes conturbações internas, que se somavam à um elenco recheado de novidades e dois resultados negativos – e com pouquíssimas testemunhas – em amistosos realizados contra as equipes do Gama-DF e da Aparecidense-GO.

Quando a bola rolou “de verdade”, valendo os primeiros pontos do campeonato estadual, percebemos que as expectativas não corresponderam aos resultados recentes. O time do Atlético se mostrou muito mais propositivo e dominou praticamente toda a primeira etapa do jogo. O Vila Nova não chegou a ameaçar de forma efetiva a equipe atleticana que, por sua vez, teve uma boa movimentação em seu meio-campo e construiu boas jogadas a partir do acionamento de seus laterais.

Ao chegarmos à etapa final do clássico, tivemos a situação que demonstrou claramente que as equipes ainda precisam de muitos ajustes e, de forma geral, que os jogadores ainda demandam mais tempo de atuação para calibrarem melhor a precisão dos passes e finalizações. Na metade do segundo tempo, o zagueiro atleticano Ricardo Silva cometeu um pênalti infantil, em uma jogada de linha de fundo. Convertido, o pênalti contra o Atlético acabou determinando o resultado final do jogo.

Restando pouco mais de vinte minutos de partida, o Vila Nova segurou o resultado e a equipe atleticana não encontrou meios de reverter a situação. Para muitos torcedores, o 1x0 já é prova suficiente de que a temporada do Atlético-GO será muito difícil e que precisamos de muito mais para almejarmos algo melhor. Contudo, se a derrota representa sinal de preocupação, acredito que há vários pontos positivos para serem destacados nesse primeiro jogo.

Independente da derrota, o clássico pode ser entendido como um “filme ruim” estrelado por “bons atores” para o Atlético Goianiense. Na zaga, notamos que a contratação de Roger Carvalho foi um grande acerto, já que o jogador teve uma postura defensiva madura para uma primeira apresentação oficial. No jogo pelas laterais, Daniel Borges mostrou grande disposição e foi uma peça importante para que as jogadas pelo setor direito pudessem incomodar a zaga adversária.

Já no meio ofensivo, tivemos uma grata surpresa com a movimentação de Willians, que participou de uma parcela significativa nas melhores jogadas feitas pelo Atlético. Sabemos que muito há de ser feito, que há muita água para correr por debaixo da ponte, mas acreditamos que a desconfiança inicial com o jogador já perde força. Entre os veteranos, vemos um Jorginho muito aquém do esperado, e que acabou sendo alvo das críticas de vários torcedores que estiveram presentes na partida.

Feita essa leitura da partida, esperamos que os “bons atores” confirmem as suas atuações com maior entrosamento, em jogos que revelem ao comando atleticano quais serão os ajustes para os próximos jogos e, principalmente, quais reforços ainda precisam ser buscados no mercado. Meus caros rubro-negros, se nem o Leonardo Di Caprio não conquistou o Oscar de primeira, não precisamos fazer alarde com um grupo que ainda vai encarar muita coisa até termos clareza de quem vai atuar bem pela equipe ao longo do ano.

P.S.:

CARTÃO VERMELHO: para a torcida atleticana, que mesmo com o mando de campo, a recente conquista da Série B e o movimento de apoio ao Marcelo Cabo, não chegou a ter 50% de predomínio entre o público pagante.

CARTÃO VERDE: para o departamento de futebol atleticano, que anunciou a contratação do atacante Negueba, que jogou pela equipe do Grêmio na última temporada.