O último domingo de futebol do Vicente Calderón

Engana-se quem pensa que o último momento de emoção da história do estádio Vicente Calderón foi a partida entre Barcelona e Alavés, no último sábado, em que os catalães levantaram o troféu da Copa do Rei pela 29ª vez.


Para o torcedor do Atlético de Madrid, emoção de verdade estava reservada para o domingo. 


A tarde dominical começou com uma partida preliminar entre os garotos da academia do clube, jovens entre 11 e 12 anos, futuros craques que jamais terão a chance de jogar profissionalmente no Calderón, mas que preservarão o estádio para sempre em suas memórias afetivas. 


Em seguida, foi feita uma homenagem ao Atlético de Madrid B, que pela manhã havia conquistado o acesso a terceira divisão espanhola, depois de vitória por 2 a 0 sobre o Gimnástica de Torrelavega, na Ciudad Deportiva Wanda. 


Depois da entrada principal, o filé: o jogo entre Lendas do Atlético de Madrid e Lendas do Mundo.  


Do lado da equipe que representava o clube, Leo Franco, 40, era o primeiro entre os onze da formação inicial. Mesmo com uma Copa do Mundo no currículo, Franco passa longe de ser um dos maiores goleiros da história do clube, mas os mais de 300 jogos em que defendeu a meta colchonera credenciaram com razão sua titularidade.


Na lateral-direita, Contra. Do lado esquerdo, Antonio Lopez, campeão de duas Ligas Europa e uma Supercopa Europeia. Na zaga, o colombiano Luis Perea, segundo jogador estrangeiro que mais vezes vestiu a camisa do Atlético, com 314 partidas – só atrás de Diego Godín. A seu lado, Santi Denia, um dos integrantes da equipe que conquistou o doblete (Campeonato Espanhol e Copa do Rei) na temporada 1995/96.


Como primeiro homem de meio-campo, Gabi, o capitão do atual time de Diego Simeone. Mais a frente, Juan Vizcaíno, tricampeão da Copa do Rei (1991, 1992 e 1996). E é claro que não podia faltar a destra de ouro do sérvio Milinko Pantic, um dos pilares da histórica equipe de 1996, famoso pelos tantos escanteios venenosos cobrados na frente da curva Sur do Vicente Calderón. Completando o meio, Adrián Lopez, um dos jogadores mais importantes do início da era Simeone no comando do Atlético. 


Divulgação/Atlético de Madrid
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Aos 50 anos, o ídolo Milinko Pantic se prepara para arremessar o lateral


No ataque, Fernando Torres, cria da casa que se tornou o sexto maior artilheiro da história do clube, com 118 gols. Por fim, outro que não podia faltar na festa: o atacante uruguaio Diego Forlán, artilheiro da temporada 2008/09 do Campeonato Espanhol, última vez que o Atlético de Madrid teve o maior marcador da liga. 


Divulgação/Atlético de Madrid
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Aos 38 anos, Diego Forlán mostrou que ainda tem intimidade com a bola


Os brasileiros Luiz Pereira e Paulo Assunção também chegaram a entrar em campo para participar do jogo, assim como outros ícones da história do clube como José Luis Caminero, Julio Salinas e Luis Garcia. 


Do lado adversário, uma formação não menos nostálgica contou com René Higuita, Clarence Seedorf, Ronaldinho Gaúcho, Cuauhtemoc Blanco, Zvonimir Boban, Claudio Caniggia e Marcos Senna. Nomes de peso que não à toa conquistaram a vitória pelo placar de 5 a 4. 


Mas o resultado era o que menos importava. O domingo de despedida do Vicente Calderón foi uma verdadeira viagem pelo tempo, um encontro de diferentes gerações que marcaram época na história do futebol.


Foi um privilégio o que os 51 mil torcedores presentes nas arquibancadas do Calderón puderam testemunhar. Uma reunião de craques no campo que pela última vez recebeu futebol. Aliás, o verde do gramado vai continuar, mas a partir de agora em um parque público que fará companhia ao rio Manzanares.


Divulgação/Atlético de Madrid
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Ronaldinho Gaúcho e Gabi erguem o troféu comemorativo da partida de despedida do estádio Vicente Calderón


A renda do evento de despedida do estádio Vicente Calderón vai se destinar a uma instituição de crianças carentes que integra mais de 446 mil escolas e redes educativas em 190 países.


Divulgação/Atlético de Madrid
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Após o final da partida festiva, ex-jogadores e jogadores atuais do Atlético de Madrid saudaram pela última vez a torcida no estádio Vicente Calderón


Enquanto isso, a quase 2 mil quilômetros da capital espanhola, a capital italiana se derretia em lágrimas com a despedida de Francesco Totti.


Neste histórico domingo, 28 de maio e 2017, o futebol perdeu uma lenda e um templo sagrado. São os novos tempos chegando. Próxima parada, Wanda Metropolitano!