A temporada do Atlético de Madrid está por um fio

O desfecho da temporada do Atlético de Madrid está por um fio. Para o bem e para o mal.


No Campeonato Espanhol, a situação da equipe está quase totalmente definida. Sem qualquer chance matemática de título, o que não é nenhuma novidade, resta apenas assegurar de vez o terceiro lugar da tabela. Conquistar um ponto nas duas partidas que restam basta para a equipe alcançar o objetivo. É muito difícil de imaginar que o Atlético perca dois jogos consecutivos para Betis e Athletic Bilbao.


Neste momento, quatro pontos separam Atlético de Madrid e Sevilla, com o atenuante de que os colchoneros levam vantagem em caso de empate em pontos na tabela devido ao confronto direto.


Parece bobagem, mas escapar dos play-offs da Champions League é sempre um grande negócio. Primeiramente, pelo simples fato de fugir de qualquer chance de zebra ou vexame. Em segundo lugar, porque toda a programação da pré-temporada é alterada em função destes dois malditos jogos que podem colocar em xeque as pretensões de uma temporada inteira. Por fim, a falta de certeza de participar da fase de grupos da Champions é um fator que pode influenciar de alguma forma no momento de negociar jogadores no mercado.


Se a maré está toda a favor na Liga das Estrelas, a vida não está nada fácil para o Atlético de Madrid na UEFA Champions League. Culpa mais uma vez do Real Madrid. Uma eliminação é ruim, duas é dose, três é demais, quatro então é sacanagem. Não tem para onde fugir e nem onde enfiar a cabeça. A quarta frustração seguida para o nosso maior rival bate às portas com muita força.


Getty Images
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O capitão Gabi com as mãos na cabeça como quem sabe que a missão é quase impossível contra o Real Madrid


O Real Madrid não perde por três gols ou mais de diferença desde 21 de novembro de 2015, data daquele chocolate do Barcelona, 4 a 0, em pleno Santiago Bernabéu. Na ocasião, os merengues agonizavam com Rafa Benítez no comando. Zinedine Zidane era o treinador do Real Madrid Castilla, equipe reserva do clube. 


Já a última vez que o dérbi de Madrid acabou com uma diferença de gols tão alta a nosso favor não faz tanto tempo assim. Você provavelmente há de se lembrar. 02 de fevereiro de 2015. Tiago, Saúl, Griezmann e Mandzukic marcaram naquela histórica noite que revira até hoje o imaginário colchonero. Serve de alento. Mas Zidane também não era o técnico ainda. Era auxiliar de Carlo Ancelotti. Será possível repetir aquela façanha? Imaginar isto soa como um delírio dos mais cabulosos.


Mas não existe outra maneira além de acreditar, acreditar, lutar e lutar. Nos últimos dois meses, Barcelona, Palmeiras e Ponte Preta viveram dramas semelhantes ao que se encontra o Atlético neste momento. Isto é, ser derrotado por três gols ou mais no primeiro jogo de um confronto mata-mata e depois enlouquecer imaginando de que maneira reverter tal resultado. É de fato um negócio aflitivo, insuportável, angustiante, beira a tortura. Mas é preciso crer, senão melhor nem entrar em campo.