Atlético de Madrid não encanta, mas quebra o encanto

Mais uma partida econômica. Nem precisou se esforçar tanto. Afinal, o Atlético de Madrid precisava apenas de uma bola na rede em 90 minutos para se certificar de que a terceira semifinal em quatro temporadas viria. Abrir o placar, então, seria o melhor dos mundos. Dito e feito.


A equipe colchonera fez exatamente aquilo que sabe fazer dentro de sua estratégia já conhecida de ser fatal e cirúrgica. Quando encara um adversário assumidamente superior, sabe segurar a partida, travar as jogadas, anular as virtudes e contra-atacar com eficiência. E quando enfrenta uma equipe tecnicamente inferior como o Leicester, sabe também controlar as ações (67% de posse de bola desta vez), acelerar no momento certo, sobressair na bola aérea e equilibrar na intensidade. Não teve jeito. O encanto da equipe de Shakespeare não passou pelo esquadrão de Simeone, que não encanta o torcedor, mas convence pela eficácia. 


Desta vez o gol marcado não teve participação direta de Antoine Griezmann, principal jogador indiscutível do Atlético na temporada. No King Power, o tento nasceu dos pés de outros dois protagonistas do time em lances de ataque. Primeiro, cruzamento na medida de Filipe Luís, que já tinha deixado sua marca no final de semana contra o Osasuna. Depois, cabeçada milimetricamente calculada de Saúl Níguez, autoridade máxima em fazer gols difíceis e bonitos, especialmente em partidas decisivas de Champions League.


Foi o centésimo gol do Atlético na história da maior competição continental. Destes 100 gols, sabe quantos foram marcados na era Diego Simeone? 71. Isso mesmo, pouco mais de 70% de todos os gols do time na Liga dos Campeões foram marcados de 2013 pra cá, nas quatro temporadas seguidas em que o time disputa o torneio sob o comando do treinador argentino.


De quebra, o golzinho de Saúl ainda evitou logo de cara a chance do confronto ser decidido nos pênaltis. Era tudo que não poderia acontecer! Afinal, o Atlético vinha de dois pênaltis perdidos em menos de dois minutos no Campeonato Espanhol, e Kasper Schemichel, goleiro do Leicester, de duas partidas nas oitavas contra o Sevilla defendendo penalidades. 


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Saúl Ñíguez tirou o zero do placar para encaminhar a vaga do Atlético de Madrid em mais uma semifinal de Champions League


Carrasco três vezes


Não, não se trata de um hat-trick de Ferreira Carrasco. Ele não balançou as redes no jogo de ida nem jogo de volta contra o Leicester. Mas a verdade é que esta foi a terceira vez que o Atlético de Madrid eliminou o Leicester de uma campetição europeia. Detalhe: os Foxes disputaram torneios internacionais oficiais apenas quatro vezes em sua história. 


Ou seja, a torcida do pequeno clube inglês saiu deste conto de fadas de cabeça erguida, mas com apenas uma certeza: não quer ver o Atlético de Madrid nem pintado de ouro da próxima vez que disputar uma competição europeia. Quando será que vai acontecer de novo?