O cadeado na meta do Atlético de Madrid

Getty Images
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Antoine Griezmann fez o único gol do jogo e colocou o Atlético em vantagem no confronto contra o Leicester


"É importante ter marcado e não ter tomado, mas na Inglaterra será complicado". As palavras do goleiro Jan Oblak refletem a sensação predominante entre jogadores, comissão técnica e torcida, após a vitória magra do Atlético de Madrid sobre o Leicester.


Oblak sabe que em geral o Atlético é econômico no ataque, mas também está careca de saber que a defesa é um pilar fortíssimo da equipe. No entanto, obviamente é um risco não ter matado o confronto e assim levar para a casa do adversário o duelo aberto. É basicamente alimentar por mais uma semana a possibilidade do conto de fadas do Leicester continuar. Mas não vamos esquentar a cabeça, já vivemos momentos bem mais críticos do que este.


A tendência é colocar mais uma semifinal na conta, que seria a terceira em quatro temporadas. Tal feito que se aproxima só não seria mais incrível do que uma outra marca alcançada na quarta-feira por Diego Simeone e seu esquadrão. Como treinador do Atlético de Madrid, Cholo chegou ao número de 10 confrontos mata-matas dentro de casa na Liga dos Campeões. Nos últimos 9 deles, acredite se quiser, o adversário passou em branco. Nenhum golzinho sequer sofrido. É preciso voltar para as oitavas-de-final da temporada 2013/14 para lembrar da última vez que a defesa da equipe acabou vazada - na ocasião tomou um gol de Kaká, na vitória por 4 a 1 sobre o Milan.


O jogo


Não dá pra dizer que o Atlético não insistiu e não pressionou. O problema é que o Leicester pouco se expôs e mal exerceu marcação por pressão no campo de ataque, estratégia para evitar que o Atlético tivesse espaço para atacar quando eventualmente superasse a faixa inicial de aperto.


Como era de se esperar, o Atlético mostrou mais repertório do que o Leicester, da intensidade ao controle do jogo. A posse de bola colchonera beirou os 70%. O Atlético bateu oito escanteios no jogo, mas o curioso é que o gol foi resultado de um escanteio...... para o Leicester. Isso mesmo. Depois do único corner a favor dos ingleses na partida, veio o contra-ataque que culminou no pênalti cometido em Antoine Griezmann, convertido pelo próprio atacante francês


No final das contas, minha avaliação é que o Atlético mostrou um futebol burocrático para aquilo que a partida exigia contra um adversário que faz o que o próprio Diego Simeone gosta de pedir para o time fazer quando enfrenta equipes com mais qualidade. Mesmo assim, é claro que faltou criar mais chances claras e construir uma vitória mais elástica.


Embora leve a desvantagem mínima para o estádio King Power, a tarefa do Leicester ainda é dura, árdua. Riyad Mahrez vive uma temporada bastante abaixo daquela em que conduziu o Leicester ao título da Premier League. E isso produz um efeito dominó na equipe. Afinal, especialmente quando o argelino não rende, o desempenho de Jamie Vardy também cai, figurando na maior parte do tempo em um zona de isolamento no campo de ataque. 


A vaga está nas mãos do Atlético. Só perde se quiser.