Clássico: dos bastidores da semana ao gol de Griezmann

O clássico do último sábado entre Real Madrid e Atlético de Madrid foi o jogo mais longo da temporada.


Isso porque começou bem antes do apito inicial. O dérbi mais importante do país na verdade teve início na terça-feira passada. Acirrado desde o princípio. Logo de amanhã, rumores de uma bomba. Calma, não se assuste, era o jornal Marca cravando que o Real Madrid estaria decidido a pagar a cláusula de recisão do lateral-esquerdo francês Theo Hernández, equivalente a 24 milhões de euros, para tê-lo ao final da temporada.


Vi alguns confundirem o jogador com o zagueiro Lucas Hernández, mas não confunda, trata-se do irmão mais novo dele. Theo Hernandez, de 19 anos, está cedido ao Alavés até o final da temporada.


De fato, pouco se fala sobre o jovem lateral, que nunca disputou uma partida com a camisa colchonera. Seu potencial também é uma incógnita, afinal pouco se conhece sobre ele aqui no Brasil, mesmo sendo titular de um time finalista da Copa do Rei. Até aqui, Theo jogou 26 partidas na temporada, mas não tem se destacado nem por balançar as redes nem por assistir seus companheiros. 


Se realmente se comprovar verdade esta história, a questão central passa a ser o motivo pelo qual o Real Madrid se disporia a abrir os cofres para levá-lo. Mais do que desejar apostar em um jogador jovem e promissor, por quê botar fogo em um pacto de cavalheiros que impede a negociação de jogadores entre os dois clubes? Comprar esta briga a troco de quê? 


Não sei, mas o fato é que horas depois mais pimenta foi colocada no clássico que seria disputado somente quatro dias mais tarde. Desta vez, a polêmica partia do lado vermelho da história, com Diego Simeone provocando o clube merengue, ou melhor, sua torcida.


"Vamos! O que está acontecendo? Estão dormindo? Parece a torcida do Real Madrid! Larga esse lanche e grita", urrou o comandante argentino, irritado com o silêncio de parte da torcida presente no estádio Vicente Calderón na vitória magra por 1 a 0 sobre a Real Sociedad, na rodada de meio de semana. 


Getty Images
Getty Images

Theo Hernández, emprestado para o Alavés pelo Atlético de Madrid, foi o grande pivô da polêmica pré-clássico


Depois dos eventos de terça-feira, os ânimos se acalmaram um pouco, tanto por parte da imprensa quanto dos personagens do duelo..


Eis que finalmente chegou a hora da bola rolar. E o que se viu foi um primeiro tempo morno, em uma temperatura bem abaixo daquela que esquentou a capital Madrid dias atrás. 


O Atlético preferiu não tomar iniciativa do jogo, como é de sua natureza contra equipes com mais poderio. O Real Madrid então dominou as ações, mas não foi capaz de furar o bloqueio rojiblanco. 


Intervalo, começo de segundo tempo e.... gol de cabeça de Pepe. Uma desatenção que fez o Atlético provar de seu próprio veneno, a bola aérea, que tantas vezes foi letal, só que a favor da equipe de Simeone. 


Ainda era começo da etapa final quando o Atlético adiantou suas linhas para exercer uma marcação ainda mais feroz do que costuma fazer.


Mas a semente da reação só foi plantada quando Simeone sacou Saúl Ñiguez e colocou o argentino Àngel Correa em seu lugar. Como resposta, Zidane trocou Pepe por Nacho e Isco por Kroos, preservando o 4-3-3 ao invés de alterar o sistema para o 4-4-2, sacrificando alguém do trio BBC. A mudança foi bastante contestada por torcedores e jornalistas após a partida. 


Acertando Zidane ou não, a verdade é que o Atlético cresceu e foi buscar o resultado em um jogo que já parecia perdido. Se Fernando Torres falha, Antoine Griezmann não perdoa. O francês incendiou a Liga das Estrelas. 


O clássico que começou pegando fogo terminou com um balde de água fria na equipe do Real Madrid, que visivelmente sentiu o golpe e nem sequer mais ameaçou a meta de Jan Oblak.


Por falar nisso, mais uma partida monstruosa do arqueiro esloveno. No entanto, a melhor defesa do jogo não foi dele. Mas também não foi de Keylor Navas. Foi na realidade de Stefan Savic, que de cabeça afastou em cima da linha um disparo de Cristiano Ronaldo que fatalmente tiraria o zero do placar na primeira etapa.


Getty Images
Getty Images

Angel Correa serviu Antoine Griezmann no gol de empate do dérbi de Madrid


Resumo da obra


Dentro de campo, o retrospecto recente continua amplamente favorável aos colchoneros. Nos últimos 13 jogos, o Real Madrid continua com apenas duas vitórias. Pelo Campeonato Espanhol, o Atlético de Madrid não perde no estádio Santiago Bernabéu desde dezembro de 2012. 


Fora das quatro linhas, a polêmica situação envolvendo Theo Hernández deve se arrastar até o fim da janela de transferências de verão. O presidente do Atlético, Enrique Cerezo, falou abertamente sobre o assunto depois de almoçar e assistir a partida ao lado do manda-chuva merengue, Florentino Pérez: "Não conversamos sobre isso. Dependemos do Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) para saber se vamos poder negociar atletas ou não". Agora é aguardar as cenas dos próximos capítulos.