O tamanho de Diego Simeone no futebol espanhol

"Não sinto o futebol da mesma maneira que ele. Simplesmente temos maneiras diferentes de ver o futebol. De qualquer modo, ninguém pode ousar discutir o que está fazendo. O nível de compromisso dos seus jogadores é impressionante".


A declaração acima é de Jorge Sampaoli, feita em outubro do ano passado, ao ser indagado sobre o que achava de Diego Simeone como treinador.


Cinco meses se passaram. Continua inegável o fato de que os dois treinadores argentinos mais bem-sucedidos da atual edição da Liga das Estrelas têm formas muito diferentes de encarar uma partida de futebol.


Por outro lado, é impossível se ater a um olhar reducionista e não reconhecer que Cholo Simeone tem se esforçado para fazer o Atlético de Madrid propor mais o jogo nesta temporada. Quase uma obrigação diante do poderio ofensivo bem superior ao de outras equipes.


Claro, não é sempre que Simeone muda sua identidade consagrada. Não é uma tentativa declarada a qualquer custo. Tudo depende do tipo de partida, da qualidade do adversário e da exigência da competição. E nem sempre há êxito. 


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Jorge Sampaoli e Diego Simeone pensam o futebol de maneiras diferentes, mas ambas vitoriosas


Discussão sobre estilo de jogo à parte, o ponto é que Diego Simeone está vários degraus acima de Jorge Sampaoli no futebol espanhol. Em vivência, experiência, idolatria e números. 


O confronto direto entre Atlético de Madrid e Sevilla pela terceira colocação do campeonato, no último domingo, foi um retrato disso. Mais do que o chocolate aplicado e a atuação magistral de Antoine Griezmann, a partida marcou a centésima partida de Simeone à frente do Atleti no estádio Vicente Calderón pela Liga.


Com o triunfo pra lá de incontestável, Cholo se tornou o técnico com o terceiro melhor desempenho como mandante no Campeonato Espanhol depois de 100 jogos com a equipe dentro de casa - 74 vitórias, 16 empates e apenas 10 derrotas por trás do recorde. Neste quesito, Simeone só fica atrás de duas lendas, uma de Real Madrid e outra de Barcelona.


Primeiro da lista, Miguel Muñoz acumulou impressionantes 90 vitórias depois de 100 partidas no comando do Real nos anos 60. A sequência produziu apenas oito empates e dois reveses.


Em segundo lugar aparece Johan Cruyff, que pelo Barça alcançou a marca centenária de jogos no Camp Nou com um balanço de 79 triunfos, 15 empates e 6 derrotas. 


Sampaoli ainda está longe de adquirir esse tamanho no futebol espanhol.