Panathinaikos 2 x 3 Athletic: Virada na raça e na sorte

Em 2004, uma surpreendente e disciplinada seleção grega ganhava a Euro com um esquema de duas linhas de quatro, bloqueando os ataques dos adversários. Treze anos mais tarde, o Athletic Club chegava à Grécia como favorito no playoff contra o Panathinaikos, valendo uma vaga na fase de grupos da Liga Europa. E incrivelmente era surpreendido com o mesmo esquema.


O que não deveria ser algo muito complicado ao olhar a comparação dos times no papel, quase se tornou uma tragédia quando Cabezas fez um golaço de esquerda. O contra-ataque fulminante deixava os donos da casa com a vantagem de 2 a 0 no placar (Lod fez o primeiro aos 24 da primeira etapa) e o torcedor rojiblanco desolado já no começo da temporada. 


Divulgação Athletic Club
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Aduriz e o gol de cabeça que mais pareceu ataque de handebol


A DECEPÇÃO


Até aquele momento, o que se via era um Athletic mal escalado e demonstrando um claro despreparo para o mesmo esquema revelado no começo do século. Para ser minimamente justo, Ziganda reposicionou Muniain no intervalo para jogar mais como um bom armador que fica no centro do campo. A mudança melhorou um pouco o desempenho do time que não tinha tido sequer uma chance decente de gol no primeiro tempo.


De resto, tratava-se de um esquema tático covarde, repetindo o conservadorismo da derrota na ida da fase anterior e estando claramente descasado com o que o adversário tinha de elenco e tática. Mais fraco técnica e fisicamente, o Panathinaikos era uma equipe disciplinada e que vencia com méritos, dominando o jogo contra um visitante de tática confusa e que não conseguia sair trocando passes.


Divulgação Athletic Club
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Com o gol de pênalti, Aduriz comemorava a inacreditável virada


A VERGONHA NA CARA (COM DOSES DE SORTE)


Felizmente, esse elenco teve o mesmo brio do jogo decisivo contra o Dínamo Bucareste. Com vergonha na cara e enfim com Iñaki Williams, que inexplicavelmente era reserva de Lekue até o segundo gol do Panathinaikos, o os Leones decidiram apelar para a habilidade, na correria e quase chegando ao gol logo na saída do centro do gramado.


O ânimo de fato surgiu no minuto 23, quando Muniain decidiu dar um cruzamento violento para dentro da área e acabou achando Aduriz. Fazendo uso de seu talento em cabeceios, o matador se posicionou bem e colocou para dentros das redes como um jogador de handebol ataca com raiva o gol. Foi uma verdadeira "tijolada" nas redes.


Levemente aliviado, o Athletic decidiu arriscar e, três minutos depois, foi a vez de Balenziaga rifar a bola para a área e achar De Marcos livre. O improvável acontecia: uma finalização de primeira e igual ignorância do cabeceio que gerava o primeiro gol visitante. O supreendente empate, até injusto, abalava o Panathinaikos.


Divulgação Athletic Club
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Com incrédulos e exaltados, a torcida volta aliviada para Bilbao


A EXALTAÇÃO E A PRUDÊNCIA


Para completar a surpresa, com mais três minutos, Rodrigo Moledo caía no drible de Williams, que claramente buscava um pênalti. E conseguiu. Coube ao matador da camisa 20 colocar mais uma vez nas redes gregas e fechar o placar. Até o fim do jogo, os valentes gregos ainda tentaram reagir, mas o choque havia sido muito grande.


Que o torcedor do Athletic não se iluda com chamadas sobre remontada histórica. Prudência e cobrança são necessários, pois nada justifica o time que começou o jogo. Foi com Susaeta e/ou Williams em campo que os Leones fizeram suas melhores apresentações, mas por alguma loucura do treinador Cuco não se viram esses nomes nos onze iniciais. 


É bom ver que o elenco tem brio, mas isso não vai conseguir salvar as partidas sempre. Não fosse a virada na raça, certamente a torcida estaria já odiando Cuco Ziganda. Eu já estou bem cético sobre sua capacidade.


Aupa Athletic!
@JorgeKadowaki
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