Na derrota do Athletic para o Real, só Valverde ganha

O fã de La Liga já leu por aí que Casemiro deu um show (e de fato foi o dono da partida), que o Real Madrid abriu vantagem na liderança num jogo muito difícil contra o Athletic Club, mas pouco foi possível ler sobre os rojiblancos. Normal levando em conta a atenção da mídia e pelo fato de as cotas de televisão estão concentradas na dupla Real-Barça. Se a garra em campo não foi o suficiente para levar um ou três pontos, Ernesto Valverde ganhou muitos pontos ao mostrar seu trabalho para a torcida e para o Barcelona.


Do que era previsível, podemos falar rapidamente: arquibancadas cheias (graças à vitória sobre a Real Sociedad na rodada anterior), time cheio de vontade e pressionando a saída do time da capital (como foi contra o Sevilla) e até gol de Aduriz, mais um e numa bela assistência de cabeça por parte de Raúl García. Se o usual deu as caras e o mais provável também aconteceu (a vitória do Real Madrid), Ernesto Valverde conseguiu apresentar seu melhor com o elenco do Athletic.


Divulgação Athletic Club
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Valverde mostrou, mesmo na derrota, o valor de seu trabalho para o Barcelona


Sim, já me cansei de criticar a forma como os bascos jogam sob o comando do treinador cobiçado pelo Barcelona. Também acho que, sob outra liderança e gestão dos atletas dos times do Athletic, poderíamos estar ainda na busca pelo título da Liga Europa e disputando constantemente uma vaga na Champions. Só que, com os recursos disponíveis para o jogo deste sábado (18), Valverde mostrou o que e como queria levar a vitória sobre o líder do campeonato. E por detalhes não foi bem sucedido.


Saborit vem sendo a principal revelação da temporada na esquerda, enquanto Muniain voltou a jogar um bom futebol no segundo turno. Um time normalmente com características de contrataque rápido e meio campo leve acabou não aparecendo nos onze iniciais. Se muitas vezes a estratégia de Valverde é quase incompreensível, desta vez foi bem clara: colocar um time fisicamente compatível com o adversário para correr menos riscos. 


Divulgação Athletic Club
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O matador da camisa 20 marcou mais um e numa bela jogada com Raúl García


Consequentemente, foi possível ver Balenziaga, De Marcos, Iturraspe e Lekue juntos, como forma de anular o Real Madrid, ainda que custasse uma perda de ofensividade. E o primeiro tempo foi muito bom, mesmo tendo tomado gol num rápido contrataque dos adversários e que só foi fulminante pela qualidade dos jogadores de Madri. Ainda assim, o Athletic seguiu fazendo seu jogo que anulava tanto Cristiano Ronaldo quanto Gareth Bale. Marcelo esteve sufocado quase o tempo todo, enquanto Modric e Kross não tinham espaço para nada.


Ao esperar até os 15 minutos do segundo tempo e precisando fazer gols, Valverde colocava Muniain no lugar de Lekue. Zidane via o sufoco que o time levava, principalmente com o rápido Iñaki Williams nas costas de Marcelo, e mudava a tática para algo mais conservador. A visão dos dois treinadores foi muito boa. Ainda assim, logo em seguida sairia o gol de empate dos bascos, justamente num ataque de Williams para García e este só assistiria Aduriz para mais um gol de cabeça.


Divulgação Athletic Club
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Iñaki Williams ainda não sabe finalizar nem proteger a bola, mas fez bom jogo


Não houve muito tempo para comemorar, já que os detalhes, quase sempre com Casemiro, decidiam o jogo a favor do Real Madrid. No primeiro gol, o lançamento do brasileiro determinou o contrataque para Ronaldo e Benzema. No segundo gol, lá estava o ex-sãopaulino livre na área para só empurrar para o gol dos donos da casa. As mudanças promovidas por Zidane travavam o jogo, enquanto Valverde ainda tentava com bastante lucidez dar velocidade ao time, com Susaeta no lugar do cansado Raúl García e a entrada de Mikel Rico no lugar de Beñat.


Se Williams tivesse um pouco mais de capricho nas finalizações e se dedicasse melhor defensivamente (o segundo gol saiu na falta de marcação sobre Casemiro), talvez o resultado tivesse sido diferente. Da mesma forma, Beñat teve um desempenho ridículo em campo, perdendo quase toda disputa no meio, impedindo de termos Raúl García mais perigoso em campo. Se pararmos para pensar, foi por pouco mesmo que um resultado melhor não veio. Isso que ainda Keylor Navas fez um bom jogo e Casemiro de fato foi brilhante.


Talvez a queda de rendimento do Sevilla tenha motivado Ernesto Valverde a dar algo mais de si para mostrar ao Barcelona que ele pode assumir o time catalão. Os últimos dois jogos foram muito bons para o Athletic e ele mostrou ter o time na mão. É só uma pena que isso tenha vindo tarde demais, já que falta só um quarto de La Liga e os demais torneios já chegaram ao fim para os Leones.


Aupa Athletic!
@JorgeKadowaki
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