Valverde: o mais longevo, mas até quando no Athletic?

Em uma noite de gols marcados em falhas das defesas e goleiros, o Athletic alcançava 30 pontos conquistados em La Liga, dos 39 disputados dentro do San Mamés. Mais que celebrar uma vitória sobre o fraco Granada por 3 a 1, a 24ª rodada do torneio marcou o jogo de número 292 de Ernesto Valverde como treinador dos rojiblancos. Com 290, a marca histórica de treinador mais longevo já havia sido alcançada, mas apenas neste fim de semana houve a chance de celebrá-la em casa. 


Se o reconhecimento da marca alcançada é inquestionável, a continuidade do trabalho vem sendo discutida cada vez mais. O reflexo da ridícula derrota e eliminação da Liga Europa para o Apoel Nicosia foi visto na arquibancada. Apesar da marca histórica, o San Mamés viu o segundo pior público da temporada, ficando apenas à frente de um jogo de segunda-feira e com muita chuva, em dezembro.


Divulgação Athletic Club
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Homenageado, Ernesto Valverde comemorou um bom placar sobre o Granada.


Do lado dos que se posicionam a favor da permanência de Valverde, a eterna comparação com o passado recente é inevitável. Se há dez anos o cenário era de quase rebaixamento para a segunda divisão, os últimos anos foram certamente muito melhores, desde a passagem de Caparrós ao sonho com Bielsa, quando alcançávamos uma final de Liga Europa. Para reforçar o apoio a Valverde, a conquista de um troféu após 31 anos é um ponto muito positivo.


Dos que se colocam contra Ernesto, pesa o fato de estar no comando há quase quatro anos e ter no momento um elenco que se abala fácil, dependente de apenas dois jogadores constantemente com raça (Aduriz e Raúl García) e sem esquema de jogo claro. A vitória vem surgindo em casa apenas quando os atletas se superam na vontade, pois não parece haver solução tática clara.


Divulgação Athletic Club
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Entrevista coletiva no segundo pior público da temporada


Impressiona negativamente como um elenco apontado como quase no ponto certo para o sucesso em 2016 acabou se apequenando em 2017. Da felicidade da manutenção do time à crítica justificada de que apenas dois jogadores dão o sangue constantemente, é difícil ponderar quanto da culpa cai no colo de Valverde.


Eu sou favorável à saída do treinador, mas preocupante mesmo é o cenário de classificação a alguma posição europeia nesta temporada. Com dois terços de La Liga já avançados, sempre beirando alguma chance na Liga Europa, não dá para jogar todas as apostas nas últimas rodadas, ainda tendo que contar com o tropeço dos rivais. 


Jogos críticos com Real Sociedad, Sevilla e Real Madrid estão chegando. Que o ânimo volte ao elenco para que algum sonho se mantenha vivo nesta temporada.


Aupa Athletic!
@JorgeKadowaki
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