A ‘quase vinda’ de Lemar para o Arsenal e os dramas do fim de janela

Getty Images
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Wenger manteve o discurso de que Alexis não sairia durante toda a pré-temporada. No deadline day, Guardiola fez uma nova proposta, mas já era tarde demais


Um dia antes do fechamento da janela, a informação de que o Arsenal não tinha dinheiro para comprar mais ninguém veio à tona e deixou todo mundo descabelado. Como um clube, com tanto dinheiro em caixa e que ainda havia vendido alguns jogadores por bons preços, não tinha poderio financeiro para trazer ao menos mais um reforço? E como explicar o fato deste time “sem dinheiro” ter oferecido 92 milhões de libras por Thomas Lemar, do Monaco, restando poucas horas para o fechamento da janela?


Tudo parece muito confuso e frustrante, mas, nesta terça-feira (4), o mestre David Ornstein, da BBC, explicou como tudo procedeu no deadline day. Peguei o texto dele, traduzi, dei uma editada, para facilitar o entendimento, e reproduzi logo abaixo.



No verão de 2016, o Arsenal gastou mais de 100 milhões de libras com reforços e disseram-me, por várias fontes, que existiam fundos ainda maiores para a janela de transferências seguinte (a que terminou semana passada). O clube informou, no entanto, que um pedaço significativo do orçamento foi gasto para trazer Alexandre Lacazette - £50 milhões - e nos salários do atacante e de Sead Kolasinac, que veio a custo zero do Schalke 04.


Para contratar jogadores de peso - Thomas Lemar era a prioridade - e realizar o desejo de Arsène Wenger em manter Alexis Sánchez, Özil e Chamberlain no seu último ano de contrato, o Arsenal teria que aumentar seu orçamento para transferências e criar espaço na folha salarial de forma cuidadosa, para não ultrapassar o teto limite que cada clube pode pagar na Premier League.


Assim, outros clubes e agentes foram informados de que ofertas seriam bem recebidas por Wojciech Szczesny, Olivier Giroud, Jack Wilshere, Mohamed Elneny, Kieran Gibbs, Calum Chambers e Carl Jenkinson.


O fato de Chamberlain ter rejeitado a oferta final do clube em renovar seu contrato - um aumento salarial que chegaria a cerca de £180 mil por semana - deixou Wenger atordoado e amargamente desapontado. Com a venda do jogador para o Liverpool, por £35 milhões, potencialmente aumentando para £40 milhões, aliado às vendas de Szczesny, Gabriel e Gibbs, o Arsenal terminaria a janela no lucro.


Na reta final, o Arsenal deixou claro que não havia mais dinheiro para novas contratações. Isso foi transmitido aos times e agentes que ofereciam jogadores ao clube e até mesmo a jornalistas. A explicação disso é que não havia um valor suficiente para fazer contratações de peso e bancar seus salários, já que o elenco estava completo e o teto salarial, no limite.


A oferta de 92 milhões de libras para Thomas Lemar foi feita contando com o dinheiro que entraria da venda de Alexis Sánchez para o Manchester City (entre 55 e 60 milhões), mais o valor que o clube já tinha para gastar com transferências (cerca de 30 milhões). Aparentemente, os fundos que restaram serão usados como uma garantia para o futuro, ou, em outras palavras, para aumentar o orçamento para as próximas duas janelas.


Existe uma clara preocupação interna pelo fato da carência de um meio-campista não ter sido atendida - e entendo que, nos dias que antecederam o prazo, Wenger tentou resolver isso, embora fosse tarde demais -, mas a hierarquia estava feliz com a janela e otimista para a temporada.


Os boatos que vêm do topo são que o proprietário Stan Kroenke está desesperado e mais ansioso em ganhar troféus, mas não há como esconder o fato de que ele não estará injetando um centavo de sua própria riqueza para ajudar o time. Kroenke e o clube dizem acreditar que o Arsenal pode chegar ao sucesso usando seus próprios recursos.


Tendo em mente que esse modelo não tem ajudado o clube a chegar ao desejado nível de glórias, e com seus rivais aumentando seus investimentos cada vez mais, não se sabe até quando esse modelo auto-sustentável vai continuar sem prejudicar ainda mais a equipe na hierarquia da Premier League.



A proposta para Lemar foi mesmo feita. Ele seria o substituto de Alexis. Porém, restando poucas horas para o fechamento da janela, foi difícil convencer o atleta a se mudar para Londres. Nem os colegas Giroud, Lacazette e Koscielny, que foram até o quarto do jogador na concentração da seleção, conseguiram fazê-lo mudar de opinião. Tratava-se de uma negociação grande demais para ser definida no final. Se o Manchester City tivesse agido antes, a chance de Lemar ter vindo para o Arsenal seria grande.


Em entrevista à emissora francesa “Telefoot”, Wenger confirmou a abordagem ao atleta e, quando perguntado se planeja outra tentativa de assinar com o destaque do Monaco, o francês não titubeou: "Sim. Eu o considero um jogador de ótima qualidade".


Sem o jovem francês e com um chileno insatisfeito no grupo, nos sobrou uma temporada inteira pela frente com um elenco que poderia estar mais forte e de espírito renovado. Os problemas podem ser resolvidos com o decorrer dos meses, mas, se a missão já era difícil, ficou ainda maior. Wenger terá que "descascar muito pepino" dentro e fora de campo. A temporada promete.