A curta e injustiçada passagem de Lucas Pérez pelo Arsenal

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Se tivesse as devidas oportunidades, Pérez poderia ter contribuído muito mais ao Arsenal


O período de Lucas Pérez como jogador do Arsenal foi curto: exatos 367 dias. Destes, 82 deles foram no departamento médico. O espanhol, que custou 17 milhões de libras - oitavo reforço mais caro da história do clube - e assinou um contrato por quatro temporadas, por pouco não completou um ano sequer em Londres.


Mas a culpa não é dele. Enquanto esteve em campo, correspondeu muito bem e agradou a torcida. Foram oito gols e seis assistências nas 21 partidas que fez. Com ele em campo, o time ganhava uma qualidade diferente daquela que os demais da posição poderiam oferecer. Pérez podia tanto ser o centroavante como também fazia bem o papel de um segundo atacante.


Na primeira metade da temporada, foram cinco gols em 10 jogos, ainda que uma lesão no tornozelo o tirou de ação por 36 dias (25 de outubro a 30 de novembro). Uma semana após se recuperar, fez um hat-trick pela Champions League na vitória por 4 a 1 sobre o Basel. Ou seja, um início inquestionável.


Entretanto, algo no jogador não agradava Wenger - ou era birra mesmo, difícil saber. Foram apenas nove jogos como titular. Em apenas cinco atuou durante os 90 minutos. Quando saiu do banco, em nenhuma delas foi pra jogar mais que 30 minutos.


Além do mais, em duas oportunidades o técnico colocou Pérez só aos 88 minutos: uma com o jogo empatado em 1 a 1, contra o Southampton, no Emirates - Cazorla marcou o gol da vitória aos 95; a outra, na derrota para o Everton, no Goodison Park. Tomamos o segundo gol aos 86 e faltando dois minutos o espanhol entrou para tentar ajudar na busca pelo empate. Em vão.


A temporada acabou e o clima ficou ruim demais. O jogador já sabia que não ficaria. Teve, inclusive, seu número 9 “tomado” para ser cedido ao recém-contratado Alexandre Lacazette. Foi o limite para o espanhol, que se mostrou extremamente decepcionado com a atitude.


"Eles não estão sendo justos comigo. O fato de tirarem minha camisa sem me falar nada para dar a um outro jogador foi a gota d'água para mim. É tudo muito chato. Não posso mais aguentar isso. Eu dei tudo de mim por esse clube, mas eles não reconhecem isso. Não consigo mais aguentar", declarou em entrevista ao jornal "La voz de Galicia".


Lucas mostrou ter habilidade. Não é nenhum craque, mas merecia ter jogado mais. No elenco atual, seria uma excelente peça. É um jogador que reúne habilidades diferentes de todos os outros da posição que temos no elenco. Tê-lo no ataque nas partidas da Europa League e uma opção a mais na liga seria interessante.


Neste deadline day, Pérez acertou seu retorno ao Deportivo La Coruña por empréstimo. Foi jogando lá que despertou o interesse do Arsenal em seu futebol. Por lá, terá sequência e voltará a mostrar o seu bom futebol e suas qualidades, essas que chamaram a atenção do próprio Wenger.