Prepare o coração: a temporada do Arsenal vai começar

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Wenger deverá manter o time escalado no esquema 3-4-2-1


Terminamos a temporada passada comemorando um título. Retomamos o topo da lista dos campeões da FA Cup. Batemos o Chelsea na decisão, com quem mediremos força na abertura do calendário inglês, neste domingo (6). Enfim, foi ótimo. Mas não foi um final condizente com o que passamos durante toda a campanha de 2016/17.


Falo por mim, mas imagino que todos sentiram o mesmo: foram meses de muito sofrimento e raiva. Do início ao fim o Arsenal testou nossa paciência. Desde a estreia vexatória, em casa, contra o Liverpool, passando pela humilhante eliminação para o Bayern, na Champions, até encerrar a Premier League no 5° lugar. Se existiu um momento “perfeito” para Wenger deixar o comando, o momento foi esse. No entanto, não foi o que aconteceu. Renovação por dois anos e o discurso de que seria o francês que nos tiraria dessa. Tudo bem.


O que teremos pela frente será uma temporada diferente de todas as últimas 20 que tivemos. Estaremos sentados em frente à TV às quintas-feiras para vermos o time jogar a Europa League. Por outro lado, é provável que tenhamos mais sorte na liga. Todos os rivais estão na Champions e, com razão, deverão dar atenção especial para a disputa - embora a maioria deles não tenha condições de faturar a Europa. Ou seja, é uma ótima oportunidade para darmos PRIORIDADE MÁXIMA à Premier League.


Deixo claro que não acho que devemos ignorar por completo a Europa League, mas, no topo de nossas prioridades, voltar a ser campeão inglês é a primeira opção disparada. Nosso time não é o melhor do país e não somos quem melhor contratou, mas somente a gente tem a opção - se é que podemos chamar assim - de escolher qual competição deve receber atenção exclusiva. Ninguém disputa a Champions League para colocá-la como plano B.


E é bem provável que Arsène Wenger e sua comissão pensem justamente assim. Vejamos a ‘novela Alexis’ como exemplo. Se o chileno ficar, teremos o jogador, no mínimo, apenas por mais essa temporada. Se o técnico bateu o pé ao afirmar que ele não seria vendido e poderá sair de graça ao final do contrato, é porque quer o atleta fazendo seu esforço final com nossa camisa para ajudar-nos a conquistar a liga novamente.


Ter o chileno ao lado de um Özil motivado, um Lacazette querendo mostrar serviço e as demais peças atuando como esperado, aumentam significamente as chances de conquistar o título.


Na pré-temporada a defesa apresentou bastante fraquezas, mas em nenhuma partida atuamos com nossa provável zaga titular. No meio, precisamos de mais um para a posição. Segundo a imprensa, trabalhamos para ter Jean Michaël Seri, do Nice. E para o ataque, a novela Lemar parece ter esfriado. Mas, de um modo geral, temos um time bom. Longe do ideal, mas pode ser o suficiente.


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Ser campeão é bom? Demais. Mas, não é só de FA Cup's que sobrevive um gigante do futebol inglês


Para a Europa League, o jeito é atuar com reservas na fase de grupos. As chances de classificação são grandes devido ao nível técnico deste estágio inicial. A partir do mata-mata, a cara do time pode mudar. Conforme a coisa for ficando séria, Wenger deve encarar a competição com mais seriedade. Já foi a época que os clubes ingleses esnobavam o torneio. Tottenham, Liverpool, Manchester United e Chelsea tiveram bons rendimentos em temporadas recentes - os dois últimos, inclusive, levaram o título.


Dito isto, o importante, de imediato, é estarmos prontos para entrar em campo contra o Chelsea, no domingo, e contra o Leicester, na sexta-feira seguinte. Começar bem a temporada é fundamental. Ainda mais se pararmos para pensar que, na Premier League passada, ficamos apenas um ponto atrás do Liverpool, justamente para quem perdemos em casa na estreia.


Manter o equilíbrio até o fim também é outro fator que devemos trabalhar no elenco. Estamos cansados de ver o time fazer um belo primeiro turno e decair de forma nojenta no segundo. Se for falta de motivação ou qualquer outro problema, o clube tratou de mudar a cara de alguns dos profissionais que fazem parte do vestiário. Para atuar ao lado de Wenger, a pessoa mais adequada para a função, devido às circunstâncias, foi contratada. Jens Lehmann chega para ser auxiliar técnico e basicamente um líder de grupo. Se como atleta sempre foi a figura de um motivador, como membro da comissão, então, podemos esperar coisas boas.


Por ora, a pressão por bons resultados nesta temporada será ainda maior. Consequentemente, a margem de erros diminuiu consideravelmente. Para que não seja o começo do fim para Wenger, teremos que jogar muita bola.