Arsène Wenger e seu mundo ideal

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Aos 67 anos, Wenger terá muito trabalho pela frente nesses próximos dois anos de contrato


Arsène Wenger vem demonstrando muita tranquilidade em relação à renovação de contrato de alguns jogadores. Sobre Alexis Sánchez, por exemplo, o técnico sempre diz com muita convicção que ele fica e ainda tem contrato para cumprir. O mundo caindo de especulações e ele sempre com o sorriso no rosto. A questão é que, nesta semana, o francês declarou que deixar os jogadores jogarem seu último ano de contrato no clube e depois saírem de graça se trata de uma situação ideal.


Além de Sánchez, Özil e Chamberlain também estão na reta final de seu vínculo com o Arsenal. A situação com o chileno parece mais delicada por se tratar de um "boom" mundial. Mas parece realmente que ele fica e o que acontecerá depois só Deus sabe. Com o alemão, tudo parece "sob controle" e talvez uma renovação possa acontecer nos próximos meses. Talvez.


Com Ox, o que incomoda é a demora para renovar com um atleta como ele, que não é nenhuma estrela mundial. Eu gosto do seu estilo, acho um bom jogador e, no atual esquema, é uma boa opção para jogar na direita do meio campo. Mas, francamente, se ele sair, não é o fim dos tempos.


Porém, não estamos aqui para falar disso, e sim para entender o que se passa na cabeça de Arsène Wenger.


Já disse por aqui que ainda não digeri bem essa história de ficar com o jogador e depois deixá-lo sair de graça. Posso estar equivocado e rever minha opinião ao decorrer da temporada, mas é o que penso no momento.


Em um cenário ideal, Alexis, Özil e Ox "voariam baixo" nesta temporada para conseguirem um novo contrato com seu clube atual ou uma boa proposta para jogarem em outro lugar. Neste ponto, ele está certo. Na teoria é isso o que acontece. E, se ficarem, não acho que nenhum dos três fará corpo mole. Alexis, que parece o mais "desesperado" pra sair, já está perto dos 30 anos. Ou joga bem, ou não jogará em nenhum outro grande time da Europa. O mesmo vale para Mesut.


Por outro lado, entramos na questão física. Se Sánchez (o exemplo é sempre ele por motivos óbvios) tem a pretensão de assinar com o Manchester City em janeiro, será que ele vai se dedicar ao máximo e correr o risco de sofrer uma lesão séria? A essa altura, ficar parado será terrível para ele. Ainda mais levando em consideração que eles já têm Aguero, Jesus, Bernardo, Sané...


Todos nós entendemos que perder atletas importantes nesta temporada seria terrível. Afinal, estamos na Europa League e atrair grandes jogadores não tem sido tarefa fácil. Se mantivermos as estrelas, temos chances de título. Talvez se tudo estiver fluindo bem, possamos convencê-los de assinar uma renovação. Mas o sentimento de incerteza incomoda. Corremos todo e qualquer risco. Daqui a cinco meses qualquer um dos três poderá assinar com qualquer time. E aí, como fica o restante da temporada?


Wenger claramente está disposto a correr este risco. Inflacionado como anda o mercado, com o dinheiro da venda de alguns deles já seria complicado comprar substitutos. Imagina sem essa grana então...


De fato, só uma temporada MUITO vitoriosa superaria essas perdas.