Quanto um fanático inglês gastaria no Brasileirão?

Eu conheço o Tim Stillman há alguns anos, desde que tive a oportunidade de entrevistá-lo para a Arsenal Brasil. Na época, ele já era um colunista famoso dentro da blogosfera do clube e, desde então, foi até chamado pela revista FourFourTwo para ser guia de um dia de jogo perfeito.



Além de escrever sobre o clube, ele não perde um jogo do masculino nas ilhas britânicas há mais de 15 anos e ainda vai a todos os do feminino que consegue - ele realmente sangra em vermelho e branco. Contudo, Tim tem uma esposa brasileira, a Déborah, e acabou abrindo um espacinho nesse coração para o Atlético Mineiro, o time dela.


De tanto admirar a sua incrível resiliência, passando horas em trens e ônibus para cima e para baixo do Reino Unido, resolvi lançar a seguinte pergunta: Quanto custaria para ele fazer o mesmo no Brasil, tirando um ano sabático de toda essa confusão que está o Arsenal?


As premissas da brincadeira são simples: 17 jogos fora do estado de Minas. Todos no Rio, Santos, São Paulo e Campinas serão viagens de ônibus e as restantes, de avião. Jogos de meio de semana geram automaticamente uma diária de hotel, se for viagem de avião.


Gastos com ônibus - R$ 1.714 (jogos contra os quatro do Rio, Ponte Preta, Santos e os três da capital paulista)


Gastos com avião - R$ 5.430 - Destaque para o voo para Chapecó, o mais caro de todos, custando 710 reais.


Gastos de hotel - R$ 400 - Curisosamente, o Atlético tem poucos jogos previstos para o meio de semana nesses campos mais longe dele. Deve ser algo planejado pela tabela da CBF, imagino, já que foram apenas 3 datas.


A brincadeira de rodar o país inteiro, sem contar com as oportunidades de turismo, custaria ao todo R$ 7.544 reais, numa estimativa grosseira. E nem consegui analisar os preços de ingressos, já que essas informações não são tão fáceis de acessar.


Enquanto isso, no Reino Unido, o preço é tabelado e todo jogo do Arsenal custa £26. Além do mais, as viagens de trem são bem baratas quando se consegue comprar com antecedência, algo que vem sendo dificultado pelas emissoras, que mudam horários em cima da hora. Mesmo assim, o custo para ir a cada um dos jogos não ultrapassa as £ 1.000, menos da metade do que se gastaria para a mesma aventura por aqui.


Isso sem mencionar as distâncias. Com a óbvia exceção do clássico local, a viagem mais curta, que seria para o Rio de Janeiro, é 6 km mais longa que a maior distância por ele viajada nessa Premier League - 434 km até Sunderland.


Essa brincadeira tem motivo: levantar a discussão das torcidas visitantes no Brasil. É lógico que as distâncias europeias permitem mais frequência nesses espaços e elas são a grande graça em qualquer estádio. Desde aquela meia dúzia de doidos até quando conseguem encher a sua cota, eles precisam ser tratados com respeito pelo mandante.


Ser um fanático no Brasil é um desafio a qualquer conta corrente.