Desprovido de vergonha, Wenger barganha seu cargo

Desde a semana passada, o Arsenal vem usando seus contatos na mídia para preparar o terreno para a renovação de Arsène Wenger. E, conforme a situação se torna mais insustentável, as inserções na mídia aumentam.


O jogo de ontem escancarou o quanto os jogadores não estão nem aí para o técnico. Desde Özil se machucando apenas o bastante para perder o jogo mas se apresentar normalmente na seleção alemã, até a atuação completamente apática e desprovida de intensidade em um momento que todos sabem que os jogadores deveriam estar jogando para salvar o técnico, o desgaste é muito nítido.


A entrevista coletiva dele após o jogo foi um tanto interessante, com ele pela primeira vez dizendo que já tem uma decisão, mas que não a comunicou a ninguém ainda.


A barganha pública está sendo colocada como balão de ensaio na mídia, com a conversa de que Wenger renovaria por apenas um ano, apenas para organizar a sua saída com calma e não entregar o clube bagunçado para seu sucessor. Isso mostra como o Arsenal é subordinado aos seus caprichos e como ele não tem nenhum pudor em ser egoísta desse jeito. Além disso, ele ter acrescentado que essa é a primeira crise em 20 anos, uma mentira deslavada e ridícula, demonstra como a ideia é criar uma narrativa baseada no surrealismo.


Getty Images
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Nem ele tira prazer do trabalho mais


Toda aquela conversinha de como Wenger ama o clube e como ele faz de tudo pensando no melhor interesse futuro do Arsenal foi jogada no lixo nessas últimas semanas. Está claro que o técnico está usando todo seu peso e influência para se perpertuar num cargo que nitidamente não é mais capaz de exercer apenas porque se trata de um trabalho muito bem pago.


Acho que ele não tem ideia do tanto que o clima irá piorar caso ele anuncie sua renovação. Muita gente está se segurando porque acha que ele sairá ao fim da temporada. Sua permanência irá transformar seu próximo ano ou dois num melancólico horror, especialmente após as saídas das nossas principais estrelas na janela de verão.


A cada dia, a cada inserção midiática favorável, Arsène Wenger coloca mais um ladrilho em direção a sua renovação.