Vitória do América-MG em Caxias mostra que elenco faz a diferença

O América chegou para enfrentar o Juventude em Caxias do Sul como líder, mas era uma partida perigosa. Num jogo de seis pontos, a situação na tabela poderia melhorar ainda mais com uma vitória, mas um resultado negativo atrapalharia os planos.


Dias antes, ainda recebemos a notícia da lesão do camisa 10 Ruy. Contando com os desfalques de Renan Oliveira, Norberto, Pará e Christian, o time estava certamente menos forte num jogo-chave.


Porém, o trunfo do América nesta Série B é ter elenco.


Mesmo sem os dois armadores e com um volante improvisado na lateral, o Coelhão encarou o Juventude, fez seu gol por meio de pênalti claríssimo e soube administrar muito bem o resultado na maior parte do tempo.



A única vez em que o adversário esteve perto de empatar foi no segundo tempo, quando acertou a trave numa falha de marcação de Messias. Ele deveria ter impedido o passe para trás e mandado a bola a escanteio, mas marcou o adversário que receberia o toque e acabou antecipado.


Fora isso, o que se viu foi um Juventude nervoso diante da marca de cinco jogos sem vencer. Os jogadores queriam ganhar a partida no grito, mas se esqueceram de que se tratava de futebol. Sem contar as cavadas de pênalti e falta de Caion – agora se sabe por que ele tem esse nome, não é mesmo?


Menção especial ao zagueiro Domingues, que não estava em seu melhor dia (claro, pois a partida foi na sexta-feira). Além de ter feito o pênalti, errou as saídas de bola e se atrapalhou em lances simples, o que comprova que o Juventude não tem um elenco tão recheado de opções assim, como era de se esperar.


No lado do Coelhão, não se pode deixar de destacar a partida de Zé Ricardo. Não errou nada, desarmou tranquilamente e deu sequência aos lances com bons passes. Ele tem só 21 anos, mas é bom o América começar a ficar de olho nele para uma renovação. Precisamos nos antecipar à procura dos outros clubes.


Outro destaque foi Juninho, volante de origem que adora ir para o ataque, mas dessa vez precisou se atentar à defesa, já que jogou de lateral-direito. Voltar depois de dois meses parado, improvisado e no frio de Caxias do Sul, foi um desafio e tanto, mas Juninho mostrou confiança e força, não comprometendo em nenhum momento.


Mais observações


O América somou mais três pontos muito importantes, mas o placar poderia ter sido maior. Só não conseguimos balançar as redes mais vezes por causa de alguns erros na hora de finalizar. No primeiro tempo, Ernandes teve duas grandes oportunidades.


Na primeira, ele deveria ter percebido a movimentação dos adversários e cortado para o meio a fim de ficar com o gol totalmente livre, mas se afobou e chutou onde não dava, conseguindo escanteio. No outro lance, Ernandes cometeu um erro técnico. Da esquerda, perto da linha de fundo, ele finalizou de chapa e mandou a bola para fora. Deveria ter chutado de três dedos, tentando colocar uma curva na bola, que fatalmente entraria.


O segundo erro não deveria ocorrer, enquanto o primeiro é compreensível. Ernandes é volante defensivo, não tem cacoete de atacante, mas não custa a Enderson Moreira mostrar-lhe os lances em vídeo, às vezes uma conversa faz diferença. Nos minutos finais, Ernandes cobrou dois laterais longos para a área, quando deveria fazer o tempo passar. Estava ao lado do técnico, que poderia tê-lo lembrado do momento da partida. Na marcação e na troca de passes, Ernandes foi um dos melhores, tanto que deve ter sido o que mais sofreu faltas. 


Divulgação/América Mineiro
Divulgação/América Mineiro

Giovanni não está longe de ser um grande jogador, precisa focar onde pode melhorar


Outro que precisa evoluir é o lateral-esquerdo Giovanni, mas nesse caso defensivamente. Por duas vezes, o jogador quis dar o bote para tomar a bola, mas acabou levando o drible. Giovanni precisa ter calma na marcação e cercar o adversário, não lhe dar espaço. Ele já cometeu esse erro contra o ABC, no lance da bola na trave.


Por último, Luan mostrou mais do que de costume, mas cometeu um erro técnico importante num contra-ataque mortal do Coelhão. Num belo passe de Hugo Almeida, ele recebeu a bola de frente para o gol, mas finalizou de bico e mandou para fora – de chapa era a melhor opção, quem sabe um chute cruzado.


Vale destacar também o trabalho do árbitro paulista Leandro Bizzio Marinho, que já conduziu cinco partidas na Série A. Não sei se ele foi bem nestas, mas no Juventude x América mostrou-se bastante experiente. Leandro não caiu na pressão do adversário, soube perceber quando houve simulação e não teve influência no resultado.


Deu sorte numa cobrança de falta que não foi do Juventude, quando Micael se antecipou a João Ricardo, mas cabeceou para fora. Messias não fez falta em Tiago Marques, que claramente jogou o corpo contra o do nosso zagueiro, que visou e pegou apenas a bola. Claro, Messias queria jogar futebol, enquanto o Juventude desejava ganhar o jogo por caminhos bem condenáveis.


Mais um pitaco, vai!


Confesso que esse viés ofensivo de Enderson Moreira me deixa tenso, mas é o jeito do treinador de ver futebol, apenas uma concepção diferente da minha. A ideia de colocar Hugo Cabral foi boa pelo contra-ataque, mas eu teria colocado um volante para rodar a bola e fazer o tempo passar.