América-MG tem sua primeira lição na Série B

É péssimo ainda não ter vencido em casa, justamente um jogo importante. Não só pela posição na tabela, mas pela sequência. Conseguir o segundo triunfo consecutivo atrairia mais torcida para o confronto diante do Ceará, na próxima terça-feira. E daria a necessária confiança ao time.


Mas por que o América perdeu?


Sem bola nas redes


No primeiro tempo, o Coelhão deveria ter matado a partida, assim como nos 45 minutos iniciais do jogo diante do Criciúma. Porém, Norberto foi afobado ao ver que a bola estava ao seu alcance e quis chutar de primeira com a perna esquerda, quando deveria ter ajeitado para a direita e finalizado.


Luan furou numa bola não tão difícil, mas foi de Bill o gol mais perdido da noite. Dentro da pequena área, um centroavante contratado para balançar as redes não pode finalizar tão fraco.


Ou seja, o América está criando e isso é o primeiro caminho para fazer gols. E é bom que comece a acertar o alvo. Que os jogadores tenham mais calma e precisão na hora do chute, isso depende só deles.


Os erros defensivos


Quando os atacantes erram, o jogo fica 0 a 0. Quando os defensores vacilam, corre-se o risco de levar um gol. E foi o que aconteceu nas duas vezes.


Gustavo Blanco teve uma queda nos últimos jogos, talvez tenha ganhado confiança demais com o destaque no Campeonato Mineiro. Com a mudança de esquema (o fim dos três “volantes”), ele parou de aparecer na entrada da área adversária.


Agora, porém, pela primeira vez ele falhou feio na recomposição.


No primeiro gol, um jogador do Paysandu tinha a bola quase no meio-campo. Era quem Blanco deveria marcar, mas ele ficou só olhando, sem reação. Zé Ricardo se afobou e deixou sua posição de primeiro volante para dar combate no campo de defesa. Foi quando o adversário tocou para um colega mais à frente, que agora deveria ter sido marcado por Blanco, já que ele não foi no primeiro.


Mas Blanco continuou apenas observando. Rafael Lima percebeu o buraco na defesa e deixou sua posição para cobrir Zé Ricardo, mas não fez nenhuma coisa nem outra. Exatamente aí o adversário enfiou a bola entre Messias e Ernandes (por que ambos cobriram o impedimento, bastava ter ficado parado) e saiu o gol. Blanco quebrou a marcação americana.


Na Série B, é questão de estatística. Quem faz o gol primeiro dificilmente toma a virada, porque vai todo para a defesa e no outro time não há jogadores capazes de mudar a partida toda vez.


No segundo gol do Paysandu, é claro que Zé Ricardo não deveria ter permitido o adversário passar por ele, poderia ter feito a falta e levado o amarelo - estava longe do adversário para puxá-lo, é a falta de experiência. Como não o fez, o jogador do time paraense ficou livre na linha de fundo, o que obrigou Messias a sair de sua posição.


Era nesse momento que Blanco deveria estar atento ao lance. De novo, porém, apenas acompanhava de longe. Assim, não teve a reação de cobrir Messias e tentar impedir que o passe chegasse aos pés de quem fez o gol. Poderia não ter conseguido, mas era obrigação ter tentado. E ele também não estava pronto a interceptar um passe se o adversário tivesse driblado Zé Ricardo para dentro. 



Como corrigir?


Por que Blanco se destacou no primeiro semestre? Porque fazia tabelas na intermediária ofensiva, se aproximando da área. Tivemos um aperitivo disso depois do segundo gol, quando Enderson Moreira pareceu tê-lo liberado para atacar mais.


Para jogar com três atacantes, os volantes precisam voltar mais e apertar na marcação quando não tivermos a bola. Mas Blanco é ofensivo demais e Zé Ricardo não é combativo como um Thiago Santos – Rafael Jataí se assemelha mais a Thiago que Juninho.


Ter Felipe Amorim como um dos homens de frente também não compensa muito – no início do jogo, Bill até deu risada com Luan de um lançamento de Amorim muito à frente.


Que tal tirar Amorim e colocar mais um volante? O esquema estava dando certo, mas foi abandonado pelo técnico no jogo contra o Villa Nova, o último da 1ª fase do estadual.


Com três “volantes”, Blanco seria na prática um meia quando atacássemos, se aproximando para tabelar com Ruy e os atacantes. Sem a bola, ele seria o primeiro homem a dar combate, e ainda teríamos mais dois volantes depois dele. Ou seja, menos espaço ao adversário.


Os times que encararem o América no NOSSO ESTÁDIO Independência vão jogar por uma bola, como o Paysandu. Cabe aos atacantes fazer os gols, mas a defesa também precisa estar bem protegida para não haver surpresas.


Observação 1. É claro que houve pênalti em Bill. Se o árbitro fosse experiente ou inteligente, bastaria acompanhar a reação do atacante. Quem dá um salto tão rápido daqueles quando está simulando? Aliás, se o árbitro tivesse certeza da desonestidade de Bill, teria lhe dado o amarelo, não é mesmo? 1 a 1 naquele momento poderia significar a virada.


Observação 2. Ruy foi mal, não conseguiu acertar os lançamentos e passes mais importantes. É por isso que ele está na Série B e não na elite. Mas ele pode melhorar, pois tem capacidade.


Observação 3. Qual a culpa de Enderson Moreira? Continuar insistindo com Felipe Amorim, claro. E ter tirado de Blanco sua característica ofensiva. Por outro lado, foram os jogadores que perderam os gols e foi Blanco quem esteve desligado na marcação.