Inter no STJD: em 2014, América-MG não teve direito a 'bom senso'

O futebol brasileiro fica mais imoral a cada dia.


O mais novo episódio da falta de vergonha foi protagonizado no caso dos e-mails que podem ter sido falsificados pelo Internacional – ainda haverá uma definição. A intenção aqui não é julgar o clube gaúcho, que terá a chance de se defender das acusações.


O que chama a atenção é uma entrevista do procurador-geral do STJD, Bruno Bevilacqua.




“Vamos ter bom senso. Se houver a punição [ao Inter], não podemos cometer exageros e com isso prejudicar o campeonato em curso. [O Inter] Não vai ser expulso”.



Contradição vergonhosa


Entretanto, Bruno Bevilacqua não teve a mesma opinião há quase três anos...


Em setembro de 2014, o América Mineiro foi julgado pela escalação irregular de um jogador e acabou punido com a perda de 21 pontos na Série B. Bruno Bevilacqua participou daquele julgamento (era auditor da 1ª Comissão Disciplinar do STJD) e votou a favor da perda dos pontos do América.


Naquela altura da competição (22ª rodada), o América somava 33 pontos, na oitava posição, e brigava diretamente pela promoção à elite. Com a pena, o clube caiu para a lanterna com apenas 12 pontos, o que influenciou o desempenho dos atletas em campo.


Gazeta Press
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Chama a atenção a posição do procurador-geral do STJD


O América completou quatro derrotas seguidas no dia seguinte à punição (os americanos se lembram bem dos reveses em casa contra Boa Esporte e Bragantino) e já não contava com o técnico Moacir Júnior, demitido uma rodada antes.


A angústia de jogadores, torcida e dirigentes durou até 2 de outubro, quando o Pleno do STJD corrigiu o erro de Bruno Bevilacqua e seus companheiros e diminuiu a punição do América para apenas seis pontos.


Entretanto, o Coelho já estava prejudicado diante do desânimo dos jogadores (imagina-se estar brigando pelo acesso e de um dia para o outro estar na lanterna?), assim como todo o campeonato.


Curioso o procurador-geral ter evoluído tanto como pessoa e profissional para, três anos depois, em pleno julgamento contra o Inter, reivindicar o tal bom senso.


Como será que ele vai justificar a diferença de opinião entre os dois casos?