América-MG merecia ter vencido clássico contra o Cruzeiro

Pela primeira vez na temporada, o Coelhão mostrou consistência coletiva, entendeu e encarou o espírito decisivo do clássico contra o time do Zoológico e era o único que poderia ter saído vencedor na ida das semifinais do Campeonato Mineiro.


E o Coelhão só não venceu a partida por causa dos próprios erros.


Renan Oliveira iniciou triangulação com Hugo e Blanco na entrada da área e recebeu ótimo passe do volante. Dentro da área, sem ser atrapalhado por ninguém, só com o goleiro à frente (o zagueiro adversário nem conseguiu desviar a bola), Renan deveria ter balançado as redes, não se pode perder um gol desses em jogo nenhum, ainda mais decisivo!


Renan Oliveira fez alguma coisa na partida, um desempenho melhor do que nos outros jogos, mas ainda aquém do necessário. Em quatro minutos e sem ritmo, Ruy mostrou que vai brigar muito pela vaga de titular, pois procurou o jogo e criou pelo menos uma situação.


Blanco continua chegando bem ao ataque, mas falta-lhe capacidade de finalização. Contra o Villa Nova, na partida anterior, ele já havia perdido chances incríveis. Voltou a vacilar em lances capitais, como no chute de dentro da área, que deveria ter colocado no canto com o lado do pé, mas mandou no meio do gol, onde estava o goleiro.


No segundo tempo, Blanco cabeceou uma bola buscando o canto direito, quando deveria ter finalizado reto, no canto esquerdo. Volante que chega ao ataque precisa saber finalizar e fazer gols. E Blanco pode e deve evoluir nesse quesito.


A substituição errada


O outro motivo para o América não ter vencido foi a decisão errada de Enderson Moreira. No segundo tempo, nosso treinador tirou Felipe Amorim para colocar Alex Silva de lateral-direito, adiantando Auro para a meia-direita.


Pouco depois, Alex Silva fez que ia no adversário e deixou espaço logo atrás dele, exatamente por onde o oponente enveredou a fim de cruzar para empatar. Messias fez o gol e isso é importante demais (quanto tempo perdemos deixando-o sem jogar nos dois últimos anos), mas no lance do empate levantou o pé e a bola passou por baixo. Na primeira trave, ele não pode deixar essa bola passar de jeito nenhum!



Mudar o posicionamento de Auro por si só foi um erro, pois ele ainda não mostrou qualidade ofensiva para ser adiantado, tanto que não conseguiu fazer muita coisa. Além disso, ele estava bem no jogo, não comprometeu como em outros clássicos.


Portanto, o melhor seria tê-lo mantido na posição de origem e substituído Felipe Amorim por Mike, o que não mudaria a estratégia tática do América na partida – mesmo vencendo, é sempre importante ter opções ofensivas e não recuar, chamando o adversário.


Curiosamente, quando Mike entrou no lugar de Gérson Magrão, que já demonstrava sinais de cansaço antes da troca por Alex Silva, ele teve de ser deslocado para a esquerda a fim de não ocupar o mesmo espaço que Auro. Nesse momento deveria ter entrado Christian no lugar de Magrão, pois ele também iria ao ataque junto de Blanco, mantendo o adversário ocupado na marcação.


Mais pitacos


Mike jogou menos tempo que Felipe Amorim, mas levou perigo numa boa cabeçada no final do jogo, que o goleiro adversário só conseguiu defender porque faltou sorte para o América. A bola precisava de um pouco mais de força para encobrir o arqueiro. Na minha concepção, Mike é titular ao lado de Hugo, pois é o melhor atacante de lado do elenco.


Entretanto, Amorim apresentou mais do que vinha fazendo anteriormente. Ele não finalizou e não foi agudo como Mike, mas deu dois ótimos passes, ambos para Hugo, que só não aproveitou porque estava mal posicionado.


No primeiro tempo, Hugo demorou a chegar na linha da bola e, quando Amorim cruzou, ele não estava lá para finalizar. Em outro lance, Amorim conseguiu outro cruzamento, mas dessa vez nosso atacante estava à frente da linha da bola. Um centroavante experiente como ele não pode ir para dentro do gol, não é mesmo?


A arbitragem


Vitor Silva / SSPress
Vitor Silva / SSPress

O árbitro Igor Júnio Benevenuto errou no gol adversário


Igor Júnio Benevenuto errou durante o jogo. Mas, diferentemente de outros clássicos, seus equívocos foram para os dois lados, o que equilibra as ações. Antes, o árbitro só vacilava contra o América, o que mostra que valeu a pena a pressão sobre a arbitragem.


E isso tem que continuar...


O referido dono do apito errou no lance do gol adversário. Falta é pra ser batida NA POSIÇÃO EM QUE ACONTECE. Não pode ser cobrada muito atrás nem muito à frente. O adversário fez exatamente isso, colocando a bola num lado do campo que estava sem marcação, já que o América esperava a falta cobrada do outro lado, onde havia sido.


Esse é um erro banal que não pode acontecer, não é mesmo?


O que fica


A tendência é que o América pelo menos repita o desempenho na volta. Se isso acontecer, temos boas chances de alcançar a decisão do estadual mais uma vez. Houve uma evolução coletiva, o time parece estar mais entrosado, e conseguimos criar chances de gol mesmo tendo um pouco de dificuldade ofensiva.


Que o espírito decisivo permaneça nos jogadores para continuarmos defendendo nosso título!