Ruy pode ser mais um 'revelado' no América-MG

Nosso primeiro reforço para a Série B 2017 é um camisa 10, jogador criativo que ainda não tínhamos no elenco – Renan Oliveira é ex-jogador em atividade, por causa do Coelhão; e de novo!


Ruy, 28 anos, que veio de empréstimo do Coritiba, falou o esperado na apresentação: “Quero jogar, fazer o meu nome aqui e colocar o América de volta na Série A”, disse o jogador ao site oficial do Coelhão.


Mas ele mesmo sabe que palavras não resultam em assistências, passes para gols de companheiros e bolas nas redes. Ruy precisa aproveitar a oportunidade que o Coelhão está lhe dando, pois ele tem capacidade de recuperar os bons tempos de Operário Ferroviário e mostrar para o Coritiba que pode ajudar.


Pelo que se viu até agora, Ruy brigará com Renan Oliveira pela função de armador do time, centralizado. É onde ele prefere jogar, embora possa fazer função pelos flancos. O adversário de posição continua sonolento e dorminhoco, mais um motivo para o novo jogador do Coelhão se doar ainda mais para convencer o técnico Enderson Moreira de que é merecedor da titularidade.


Ruy sabe muito bem o que sentia quando estava lá no Operário Ferroviário, campeão paranaense de 2015. Naquele time ele foi o cérebro, o condutor do ritmo do meio-campo, com passes para os companheiros e com leitura correta dos jogos, sabendo o momento de acelerar e de cadenciar os lances.


É isso que ele vai precisar repetir no América-MG. Mas, para alcançar esse nível de exibições, cabe ao técnico Enderson Moreira deixar para trás sua convicção de fazer Renan Oliveira jogar (não conseguiu no estadual, na Série B será mais difícil por causa do nível superior do torneio) e dar uma sequência ao jogador.


Claro que é complicado Ruy entrar agora nas semifinais (ele já está regularizado no BID da CBF) por causa do ritmo de jogo, mas na Série B ele terá todo o tempo de estar 100% apto.



Diretoria acerta


Não sei se a contratação partiu de um interesse do América ou de terceiros – pode ser coincidência, mas o empresário de Ruy é o mesmo do de Felipe Amorim; então, ele pode ter oferecido o jogador –, mas isso não importa.


O que interessa é que o América conseguiu trazer um jogador que estava meio encostado no Coritiba não porque não tinha condições técnicas de atuar. Numa rápida análise, percebe-se que a melhor temporada do atleta foi mesmo em 2015, quando ele foi titular absoluto no Operário Ferroviário e ainda marcou cinco gols, algo que não é muito a dele – é mais de servir os companheiros.


No segundo semestre de 2015, o Coritiba levou Ruy e o jogador continuou sendo titular, embora tenha marcado apenas dois gols – normal, o nível da Série A é maior que no estadual. Em 2016, Ruy começou a temporada como reserva, mas assumiu a titularidade no meio do ano, apesar de ter sido substituído muitas vezes no segundo tempo – dos 13 jogos, só em três ele atuou os 90 minutos.


A importância de Ruy no Coritiba diminuiu a partir de julho, quando ele teve uma lesão na panturrilha – um ano antes, teve o mesmo problema. Foram praticamente quatro meses sem jogar e o retorno aconteceu apenas em outubro. Dali até o fim do ano, Ruy só jogou três vezes, o que o atrapalhou em 2017. Com seis partidas disputadas neste ano, uma atuando os 90 minutos, Ruy teve dores musculares e chegou a ficar quase um mês sem entrar em campo.


É evidente que as lesões e desconfortos (na panturrilha também) atrapalharam Ruy no Coritiba e por isso ele não conseguiu seu espaço (não teve sequência) e acabou emprestado ao Coelhão.


Resta saber a razão dos problemas físicos...


Ou é culpa dos profissionais do Departamento Médico do Coritiba, que já foram criticados em anos anteriores por alto número de lesionados (123 entre maio de 2012 e março de 2014, um a cada 4,5 dias), ou é uma situação de Ruy, algo que tem menos chance de ser verdade, já que ele conseguiu ser titular no Operário Ferroviário há apenas dois anos, quando já não era tão jovem – tinha 26 anos.


Portanto, Ruy tem que encarar essa chance no América com todas as forças, pois nós já reconduzimos a carreira de vários jogadores. Para ficar só em três, Thiago Santos e Vitor Hugo se destacaram aqui e hoje estão no Palmeiras, atual campeão brasileiro. Richarlison veio aqui e precisou de alguns meses para chamar a atenção do Fluminense.


Detalhe importante: todos os três defenderam o América na Série B.


Seja bem-vindo Ruy, cuide-se fora das quatro linhas, entre com vontade no gramado para treinar e jogar, que o sucesso é consequência!