Sucesso do América-MG na Série B depende do acerto nas contratações

Faltando apenas mais um jogo para testes antes da Série B (contra o Villa Nova, no próximo domingo, às 16h), dificilmente aparecerá mais uma boa surpresa até a rodada de estreia na competição nacional. alguns jogadores ainda não FORAM testados na temporada, como o volante Zé Ricardo e o atacante Pilar.


O América está classificado para as semifinais do Campeonato Mineiro, mas só o resultado não interessa neste momento. Comparar com o estadual 2016 também não traz benefício nenhum, porque passado é passado.


De que adianta esta ser uma campanha mais tranquila que a de 2016? São outros jogadores, o América está em outra divisão, os adversários não são os mesmos. O que importa é o trabalho.


Contra o Tupi, o normal era o Coelhão ter vencido, até com facilidade. De certa forma, o gol do adversário foi bom para testar a equipe, que só conseguiu empatar aos 43 minutos, mesmo tendo a bola na maior parte do jogo e principalmente na etapa final.



O América tem um grave problema ofensivo, que só pode ser resolvido com contratações. A diretoria errou feio em algumas no início da temporada (salários altos para os improdutivos Renan Oliveira e Felipe Amorim) e arriscou demais em outras (dois laterais-direito jovens como Auro e Alex Silva, só um lateral-esquerdo, jovem e sem sequência boa nos últimos times, como Pará), além de atacantes sem cancha para brigar por artilharia (Hugo, Rubens e Pilar) e sem retrospecto de titulares em times de Série B (Marion, Mike e Felipe Amorim).


Ou seja, os equívocos da diretoria já aconteceram e, muito mais do que na escolha dos jogadores, foi de planejamento de elenco. Tudo bem ter jogadores como Mike e Hugo para testes, mas alguém precisava ter chegado com mais possibilidade de titularidade.


Mike fez outro gol, mas perdeu dois de forma bisonha, pois não eram cabeçadas difíceis. Auro foi praticamente nulo ofensivamente, errou cada lance bobo que faz qualquer um perder a paciência. Alex é meio doidão, não dá segurança de que pode ser titular.


Agora, os responsáveis pelo futebol não podem mais errar. Dois laterais, um de cada lado, um meia criador, um atacante de lado e um mais de área são as posições mais carentes. O América pode evoluir um pouco mais (cresce com as presenças de Blanco e Magrão), mas não fará tanto assim com esse elenco. Para crescer mais coletivamente, só contratando.


Atenção no planejamento de elenco, diretoria, pois para essas posições não podem vir mais apostas, mas jogadores para vestir a camisa de titular. Não se pode mais errar.


Sobre o jogo


Enderson Moreira não teve Gustavo Blanco em campo e isso atrapalhou o sistema do América. Porém, uma decisão equivocada do técnico potencializou a falta do jogador.


Com Blanco em campo, o jovem Christian também aproveitava para ir mais ao ataque, numa dupla de volantes mais avançada, como se fossem meias quando tínhamos a bola. Enderson deveria ter escolhido Christian para a mesma função de Blanco, até por seu ótimo chute de fora da área, mas isso não aconteceu por causa da escolha do substituto.


Tony está mal há muito tempo e não é possível que seja por causa da grave contusão. Mais do que isso, o jogador é muito mais meia do que volante. Ou seja, ele e Juninho passaram a avançar muito e Christian não pôde fazê-lo também com tanta frequência, pois senão ficaria um espaço gigante no meio.


Divulgação/América Mineiro
Divulgação/América Mineiro

Mike tem dois gols, mas permanece a dúvida se pode ser titular


Tony foi muito mal tecnicamente, pois errava lances ridículos na frente e até foi desarmado por dormir conduzindo a bola por tempo demais. No lance do gol adversário, marcou o jogador do lado errado e tomou o drible, escorregando feio! Tony não compensou a liberdade com eficiência, muito pelo contrário. E não deixou Christian avançar.


Rafael Jataí não foi relacionado (opção do técnico), mas era a melhor escolha, pois ficaria mais recuado como contra o Uberlândia e liberaria Christian e Juninho. Sem Jataí, a melhor opção teria sido recuar Juninho para ficar plantado lá atrás (errou muitos passes ao jogar a bola na frente ao invés de dar no pé do companheiro) e colocar Zé Ricardo, que tem característica parecida com a de Blanco e poderia fazer dupla ofensiva com Christian.


No intervalo, Enderson tirou Rubens para colocar Gérson Magrão (deveria ter sido titular no lugar de Renan Oliveira), perdendo força dentro da área com o placar adverso. Mike não daria conta de ser o único atacante de ofício, o melhor era ter colocado Pilar – se ele não tem condições de jogar nos profissionais, não deveria ter sido promovido; se está no banco, tem que ser utilizado numa situação dessas.


Aos 20, saiu Tony para a entrada do improdutivo Felipe Amorim, que em 25 minutos só acertou um passe de calcanhar numa tabela, nada mais. Também não consegue ser atacante mais próximo à área. Muito menos Marion, que já deveria estar treinando em separado, pois nada se pode esperar de quem não é nem jogador de futebol.


Tony marcou muito mal no lance do gol do Tupi, mas não foi só ele que errou. Por que Messias estava tão adiantado num lance de reposição do goleiro adversário? Tinha que ter voltado mais rápido, deixou a defesa exposta.


Christian não foi bem na marcação: ou ele parava para deixar o jogador adversário impedido, ou vai com todas as forças para dentro da área. Ficou no meio do caminho, dando condição e ficando longe para tentar o bote. A saída de João Ricardo também foi ruim, pois o único jeito de fazer o gol era tocando para o meio, mas nosso goleiro foi pro outro lado. Lembrou suas cobranças de pênalti, em que ele fatalmente escolhe o canto errado.


Só nos resta rezar e torcer para a diretoria acertar nas contratações para a Série B! Se o fizerem, o América entra como principal candidato ao título e consequente acesso. Caso contrário, vamos com aquele sofrimento para subir.