As descobertas de Enderson na vitória em Teófilo Otoni

O América foi a Teófilo Otoni e cumpriu sua obrigação de vencer o lanterna. E pode-se dizer que os três pontos vieram num jogo em que João Ricardo não fez nenhuma defesa difícil, nem foi muito exigido.


Mas nem tudo foi perfeito... O América deu chances ao adversário, que realmente é muito ruim e não conseguiu aproveitar nenhuma. No segundo tempo, aos 10 minutos, Messias tirou uma bola de cabeça para a entrada da área como se só houvesse jogadores do América ali e que iniciar-se-ia o contra-ataque. Deu no pé do adversário, que isolou. Um time com mais técnica poderia ter balançado as redes e complicado o jogo.


Aos 35, Pará foi tirar a bola e chutou fraco demais, bem no pé do adversário, que também não aproveitou. Três minutos depois, contra-ataque dos donos da casa e Pará chega muito atrasado, apenas vendo um jogador cabecear sozinho de dentro da área!


Por último, Renato Justi entrou no finalzinho da partida e conseguiu fazer mais um pênalti imbecil ao puxar a camisa de um jogador do América de TO dentro da área, sem qualquer necessidade.


Por outro lado, o jogo poderia ter ficado muito mais fácil se o América tivesse feito o segundo gol mais cedo.


No final do primeiro tempo, Mike entrou na área pela direita e Hugo estava perto dele. Ao invés de ficar na entrada da área para receber a bola do companheiro, que acertou ao dar o passe ali, Hugo foi correndo para dentro da área para acompanhar o zagueiro adversário na marcação! Bastava ter ficado parado para receber a bola em condições de acertar o canto num chute de chapa. Não é um erro admissível para quem vive de gols.


No início da etapa final, Pará recebeu a bola totalmente livre e Blanco (mais uma boa partida dele, o que não é novidade) passou à sua esquerda para receber o passe e ir para dentro da área com liberdade. Ao invés de dar a bola, Pará tentou o lance individual e levou falta que resultou em amarelo para o adversário. Mas era uma chance clara de gol a jogada com Blanco, outro vacilo dos grandes, o que também não é novidade.


Pouco depois, foi a vez de Tony errar, obviamente. Ele recebeu cruzamento de costas para o gol e bastava ter dominado e rolado para Blanco, que entrava livre de frente para o gol. Ao invés de fazer o simples e ver o América ficar muito perto de marcar, Tony tentou uma bicicleta maluca e isolou.


Num jogo mais difícil, esses gols teriam feito muita falta para a construção do placar.


As descobertas


Apesar dos problemas, Enderson também pode tirar pontos positivos da partida. A primeira com certeza é o volante Christian, que fez apenas seu quarto jogo na temporada, o primeiro de titular. Ele ainda pode evoluir, mas é inegável sua visão de jogo...


No primeiro gol, foi dele o excelente lançamento para Blanco dar sequência e tocar para Renan Oliveira, que estava livre e fez a única coisa que podia: mandar de primeira para as redes, tirando do goleiro (seu único lance agudo, depois sumiu como sempre).


No segundo, ele colocou a bola na cabeça de Messias, que contou com o vacilo do goleiro para completar às redes com tranquilidade. Christian sabe tocar a bola, virar o jogo, e essa característica é muito importante na situação do América, que vai enfrentar em casa muitos adversários fechados em que se tem necessidade de quebrar/surpreender a marcação. Dar mais oportunidades a ele pode ser interessante.



A outra descoberta é com relação a Mike. Também é apenas seu quarto jogo na temporada, mas ele consegue dar sequência em alguns lances. Claro que ele erra muita coisa fácil, como uma adiantada de bola sozinho aos 28 do primeiro tempo. O que parece é que Mike é superior (e provavelmente bem mais barato) que Felipe Amorim e Marion, mas ainda não mostra ter condições de ser titular, podendo compor o grupo - melhor testá-lo mais.


Juninho também não está fazendo muita coisa para ser titular. Depois da boa partida de Rafael Jataí diante do Uberlândia, a troca de um pelo outro pode ser algo a experimentar. Mas precisa ser para agora, antes das semifinais.


Pará mostrou mais uma vez que não tem condições de continuar para a Série B, e Renan Oliveira não conseguirá sequência positiva como titular – grande novidade, há cinco anos ele é assim. Na direita, Alex Silva parece ser melhor que Auro, mas ainda não dá pra dizer que tem condições de ser titular. Pode ser mais testado.


Sugestões do Pavilhão Americano


Eu se fosse a diretoria já estaria monitorando no mercado laterais direito e esquerdo, dois meias, um atacante de lado e um centroavante, todos com condições de ser titulares. Renato Justi também não passa muita confiança, o que obriga a contratação de mais um zagueiro para brigar por posição.


Essas são as carências do América, percebidas há alguns jogos. Ou seja, não vale dizer que errou o timing de contratações, pois há tempo para corrigir os equívocos de montagem do elenco. É claro que alguns desses jogadores podem estar na base, basta Enderson Moreira desistir de testar alguns (Marion é um deles) e dar oportunidade aos jovens.


Vem aí mais uma semana inteira de treinamentos, que seja proveitosa!