Desinteresse na 3ª fase da Copa do Brasil exige mudança

Não há mais dúvida. A CBF acertou na mudança drástica de regulamento para a Copa do Brasil 2017, introduzindo jogo único nas duas primeiras fases, o que deu muito mais emoção e resultou em várias zebras – veja nossa análise neste texto aqui.


As surpresas são o charme da Copa do Brasil, competição que se define como democrática. Portanto, esse regulamento vai ao encontro à proposta do torneio, que todo ano apresenta clubes desconhecidos ao torcedor comum, que só acompanha Série A.


Porém, isso não significa que não possam haver adequações...


A falta de público


Enquanto na 1ª e 2ª fases o torcedor entendeu o caráter decisivo das partidas e compareceu, na 3ª etapa o efeito foi o contrário. E isso ocorreu por que os times da Série A, que em sua maioria atingiram essa fase (Coritiba, Ponte Preta e Avaí sucumbiram no segundo confronto), não tiveram nenhuma dificuldade para superar seus adversários fora de casa, resolvendo a classificação na primeira partida.


Assim, nos jogos de volta tivemos as seguintes situações...


O Sport Recife enfrentou o Boavista/RJ e já na ida venceu por 3 a 0 em Saquarema. Resultado disso? Míseros 1.531 pagantes (2.014 presentes), de acordo com o borderô no site da CBF, resolveram acompanhar a volta na Ilha do Retiro, com triunfo de 1 a 0 dos pernambucanos. Detalhe que a média da equipe na temporada 2017 é de 3.259 pagantes por jogo.



Outro que se deu bem no jogo de ida fora de casa foi o Cruzeiro, que superou o Murici/AL por 2 a 0 no horrível gramado da cidade do interior. Na volta, no estádio Mineirão, a torcida cruzeirense não estava muito animada: só 6.963 pagantes, total de 9.106 presentes para ver mais um triunfo sobre os alagoanos, desta vez por 3 a 0. Detalhe que a média de público do Cruzeiro na temporada é de 12.576 pagantes.


O Internacional foi ainda mais tranquilo para o jogo da volta contra o Sampaio Corrêa, já que goleou o adversário no Maranhão por 4 a 1. Por esta razão, o clube já esperava pouco público e colocou à venda só 7.620 ingressos, sendo que neste universo estiveram 3.232 sócio-torcedores. Total de 8.964 pessoas sentaram nas arquibancadas do Beira-Rio para ver a vitória de 3 a 0 dos gaúchos, que tem média de 9.667 pagantes por jogo em 2017, provavelmente um resquício do rebaixamento inédito para a Série B.


Por último, o Corinthians também passou pela mesma situação ao vencer o Luverdense/MT por 2 a 0 na Arena Pantanal. Na volta, na Arena Corinthians, o público foi de 25.082 pagantes, mas o problema é que 19.753 eram sócio-torcedores, o que dá apenas 5.329 que realmente compraram ingressos para o jogo, incluindo os de meia-entrada.


Vale ressaltar que Sport e Inter tiveram prejuízo em seus borderôs, enquanto o Corinthians contou com a renda dos sócio-torcedores para lucrar – o borderô do Cruzeiro ainda não estava no site da CBF até o fechamento desse texto.


Em contrapartida, Goiás e São Paulo jogaram as partidas de ida em casa, encaminharam suas classificações, mas não jogaram para pouca gente. Os goianos tiveram 5.750 pagantes (só nove bilhetes foram devolvidos) nos 4 a 0 sobre o Cuiabá, enquanto os são-paulinos foram 15.101 nos 3 a 1 diante do ABC de Natal, sendo 2.538 sócios.



As sugestões de mudanças


A CBF tem dois caminhos a seguir. O primeiro – e mais simples – é firmar os clubes de melhor ranking na CBF jogando em casa o jogo de ida da 3ª fase, para que não se perca o interesse. O problema disso, claro, é o time golear e já definir sua classificação, diminuindo o interesse da segunda partida, justamente na casa da equipe menor. A competição perde com isso.


A melhor opção, no entanto, seria definir o mesmo regulamento para as duas fases iniciais, diminuindo um pouco as zebras – foram 18, muito acima do esperado. Assim, times melhores chegariam à 3ª fase da Copa do Brasil, tornando os confrontos mais disputados e atraindo mais o torcedor às arquibancadas.


O regulamento da 1ª fase (jogo único na casa do time de menor ranking com vantagem do empate para o visitante) é o melhor e deveria ser repetido na 2ª etapa do torneio, que em 2017 decretou penalidades máximas para a igualdade no placar.


Vale dizer que sete partidas terminaram empatadas e foram para os pênaltis, mas apenas três foram nos domínios do time menor e só uma resultou na eliminação do favorito. Ou seja, América Mineiro, Avaí e Ponte Preta (os dois últimos foram eliminados em casa) poderiam ter avançado e feito enfrentamentos mais disputados na 3ª fase. Por outro lado, com os times menores atuando em casa, certamente haveria algumas zebras, mantendo-se o caráter democrático da competição.


A CBF até poderia encampar as duas sugestões. Fato é que a entidade tem que criar um regulamento para a Copa do Brasil que vise aumentar o interesse em todas as fases. Logicamente, a competição já entra nos trilhos na 4ª etapa, com times conhecidos se enfrentando e jogos de grande apelo.