Bugre de Divinópolis demite Flávio Lopes. E a parceria?

Parceria é parceria. Ou não é parceria.


O que é esse acordo do América com o Guarani de Divinópolis?


No âmbito da assinatura do vínculo, no fim de novembro de 2016, todo mundo falou em parceria de intercâmbio de jogadores, além do empréstimo do técnico Flávio Lopes ao clube do interior, que está no Módulo II.


O tempo passou, o América demorou um pouco a definir quais jovens da base iriam para o parceiro, mas finalmente os jogadores foram para o interior. Posso até me esquecer de alguém, mas estão lá defendendo as cores do Guarani de Divinópolis os laterais-direito Marcelo Cristian e Danylinho, os zagueiros Michel e Gabriel, os volantes Douglas Dopô e Diego Henrique, os meias Patrick Allan e Renatinho, além dos atacantes Vitinho e Matheus Santos e do goleiro Jory.


Flávio Lopes é funcionário do América e foi junto dos jogadores por um motivo muito simples: dar preferência sempre que possível aos nossos atletas e poder observá-los bem de perto, nos treinamentos diários, para definir quais receberiam chances no time principal ainda neste ano ou no próximo. Era uma triagem interessante, algo que eu defendi, assim como nosso ex-técnico da base, Milagres.


Mas aconteceu um problema grave nessa engrenagem...


O Guarani de Divinópolis está muito mal no Grupo A do Módulo II. São apenas sete pontos em seis jogos, dois atrás do terceiro colocado Social, que fecha a zona de classificação ao Hexagonal Final, mas sem vitórias até aqui.


É verdade que o Bugre somou três pontos num jogo, mas foi contra o Formiga, que desistiu antes de o torneio começar – todos os jogos do time serão 3 a 0 para os adversários, o famoso WO. Pode até ser por isso que o Guarani não corre risco de rebaixamento.


Divulgação/América Mineiro
Divulgação/América Mineiro

O ato de assinatura da parceria feito por Anderson Racilan. E agora?


Quando o time vai mal e não há dinheiro para mudar o elenco todo, geralmente as diretorias demitem o técnico. E foi isso que aconteceu com Flávio Lopes após a quarta rodada, em 5 de março. Chama a atenção a entrevista dele...



"Vou me reunir com o América Mineiro para definir minha situação daqui para frente. Eu pretendo seguir na minha carreira de técnico"



O que se pode entender dessas palavras é simples e direto: Flávio Lopes quer voltar para a beira do campo e continuar na função. Resta saber se trabalhando para o América ou como treinador independente. É bom que seja a primeira opção, pois caso contrário terá sido um erro escolhê-lo para essa parceria, nem que seja dele ao ter mudado de ideia no meio do caminho.


Mas isso não é o pior...


Como fica o acordo com o Guarani de Divinópolis, já que agora não temos um treinador trabalhando em prol do América com os nossos jogadores? Arrisco dizer que a parceria perdeu totalmente o sentido, já que nossos atletas não terão a garantia de preferência e jogar é o que eles precisam para evoluir. Gerson Evaristo foi apresentado e já retirou alguns jogadores da base do Coelhão do time titular...


Com Flávio Lopes (três partidas)


Titulares (pelo menos 1 jogo). Marcelo Cristian, Renatinho, Vitinho, Patrick Allan, Douglas Dopô, Diego Henrique e Michel


Sem Flávio Lopes (duas partidas)


Titulares. Diego Henrique, Patrick Allan e Michel


O que eles estão fazendo lá então? Para ficarem sem jogar, melhor estarem aqui no CT Lanna Drummond para serem observados mais de perto, já que agora ninguém vai fazer relatório nenhum.


Enfim, a parceria com o Guarani de Divinópolis durou menos de um mês com a bola rolando, já que o Módulo II começou em 18 de fevereiro e Flávio Lopes foi demitido em 5 de março.


Outra conclusão: se nossos jogadores não conseguiram colocar o Bugre genérico pelo menos brigando pela vaga ao Hexagonal Final do Módulo II, é porque não devem ter condições de defender o Coelhão na Série B ou na elite.


Importante frisar


Divulgação/América Mineiro
Divulgação/América Mineiro

O América tem que procurar um parceiro mais equilibrado financeiramente


Talvez a escolha do Guarani como parceiro tenha sido equivocada, vale os dirigentes se reunirem para avaliar isso. Será que nossos presidentes sabiam quem o Bugre iria contratar para completar o elenco?


Para se ter uma ideia, lá estão o goleiro Glaysson (o gordinho do Tupi), o zagueiro Álvaro (sim, aquele que jogou no Coelhão antes de ir para o São Paulo, tem 39 anos), Carciano (eterno reforço do Villa Nova), Evandro Melancia (lembram-se dos pesadelos?)...


Era evidente que, com esses jogadores, o Guarani teria dificuldades, o que comprova a falta de dinheiro crônica do clube, cuja única receita era pegar atletas jovens emprestados e completar o time com veteranos sem espaço. O modelo de parceria é correto, mas talvez precisemos escolher um novo parceiro.