Saldo do clássico: decisões da arbitragem e de Enderson

Clássico decidido por um pênalti que nunca seria marcado se fosse a favor do América. A culpa principal é do árbitro Cleisson Veloso, que fechou os olhos na hora do lance para pensar na morte da bezerra e não viu que o adversário simplesmente desistiu de ir em direção à bola e parou, esperando o contato.


Mas a culpa também é dos 9 presidentes, que ainda não conseguiram entender que clássico não pode ser apitado por arbitragem da FMF. Deveria estar no Estatuto do América essa proibição. Quando eles apitam, o Coelhão já sai em desvantagem numérica.


De volta ao lance que decidiu o jogo, primeiro é necessário apontar a bagunça em que a defesa se encontrava naquele momento. Messias marcava no meio-campo e deu o carrinho para mandar a bola à lateral. Rafael Lima se encontrava no ataque e deu um pique, mas não estava marcando ninguém na hora da cobrança de lateral.


Renato Justi, o indicado por Ricardo Drubscky, era o que tinha mais condições de disputar a bola com o adversário. Um jogador de 28 anos deveria ter experiência suficiente para agir num lance desses. Nosso defensor quis ir na bola para desarmar o adversário, quando na verdade precisava ir para o lado direito do jogador e fechar o espaço, impedindo que ele finalizasse, atrapalhando-o. Resultado de um mau posicionamento na hora da cobrança de lateral.


Não houve só esse lance em que a arbitragem fechou os olhos para a realidade...


Num impedimento contra o América, a bola nem chegou para o nosso jogador lá na segunda trave (foi cortada antes), mas o assistente se precipitou ao levantar sua quadriculada e invalidar o lance, o famoso perigo de gol. A jogada seguiu (ninguém havia percebido a marcação) e um americano sofreu falta na MEIA-LUA DA GRANDE ÁREA. Era um lance mais do que perigoso, boa chance de empate.


No início do segundo tempo, a bola estava na intermediária ofensiva do América e Messias saltou para tocar nela e acionar Gustavo Blanco, que tinha espaço para cruzar. O adversário não quis disputar a bola com nosso zagueirão (deve ter tremido de medo) e ficou grudado no chão. Problema dele se não quis jogar futebol, mas aí o árbitro marcou falta, mais uma vez o chamado perigo de gol.


Sem contar as faltas que o Cruzeiro fez e não houve cartão amarelo (era até carrinho nas penas sem punição), mas para o América sempre há a sanção. São pequenos detalhes que fazem a diferença, pois quem tem cartão não pode marcar pesado, pois corre o risco de levar outro. Todos os americanos já conhecem esses detalhes, mas a diretoria parece que não.


Os três zagueiros


Divulgação/América Mineiro
Divulgação/América Mineiro

Enderson precisa treinar mais o time com três zagueiros antes de escalá-lo assim


Enderson Moreira disse que treina há muito tempo essa formação com três defensores. Mas como, se durante várias semanas ele ficou reclamando do excesso de viagens e jogos, o que impossibilitava os treinamentos?


As únicas vezes em que o América teve uma semana inteira para treinar foi entre 29 de janeiro e 5 fevereiro (entre Democrata e URT) e duas semanas depois do jogo contra o Tombense, se preparando para encarar Uberlândia e Cruzeiro.


Ou seja, está claro que esse esquema foi pouco treinado e isso ficou perceptível na partida. Na temporada, ora são dois zagueiros e laterais mais defensivos, ora são três defensores e alas. Isso confunde o jogador, pois a atitude e o posicionamento são totalmente diferentes. E uma coisa é treino, outra é jogo, onde se faz o verdadeiro teste. Se fica mudando toda hora, como exigir entrosamento e posicionameto táticos?


Se quer ficar mais defensivo contra o Cruzeiro e alguns outros adversários, o que é recomendável, Enderson deve colocar três volantes, pois é muito mais fácil para eles se entenderem dentro de campo. Além do fato de a marcação mais forte ficar mais adiantada e longe da área, não chamando tanto o adversário.


E não dá para colocar três zagueiros só para deixar Auro e Pará mais adiantados, pois eles não compensam com bons lances a função mais adiantada. Os cruzamentos são quase nulos, Auro é melhor que Pará como ala, mas não no nível aceitável.


Ou seja, o América já precisa estar observando laterais para contratar visando à Série B, aliás, desde o clássico contra o Atlético. E Pará não pode ficar, pois nem reserva tem condições de ser.


Sem protagonistas


Divulgação/América Mineiro
Divulgação/América Mineiro

Magrão não dá pinta de que será protagonista, mas não é erro de contratação


Gérson Magrão foi contratado para conduzir o meio-campo, mas já são 11 jogos e ele está a anos-luz de ser esse jogador. No fim do primeiro tempo, ele subiu sozinho para cabecear, mas mandou a bola pela linha de fundo. O mínimo seria colocá-la na direção do gol, né? Os acertos ofensivos são baixos, como num chute direto em cobrança de falta, aquele foi muito bom. Pode ser que Magrão evolua, mas hoje é coadjuvante.


E quem será o protagonista?


Certamente, não Renan Oliveira. Foi dele a chance mais perigosa do América, aquela cabeçada que o goleiro salvou com a ponta dos dedos – na sequência, o chute de Hugo nunca entraria, a não ser que o goleiro sofresse morte súbita. Mas, fora uns passes comuns, é muito pouco para quem faz a função de camisa 10. Renan Oliveira também erra saída de bola, dá contra-ataque ao adversário ao errar passe simples, quase não dá opção ao colega nos lances ofensivos etc.


Marion não é protagonista, coadjuvante nem serve para compor grupo. Sua única função é tirar espaço dos meninos da base. Marion é tão desprovido de técnica que conseguiu isolar dois cruzamentos quando bastava dar um tapa para trás com inteligência. Quem aprovou a contratação desse jogador deveria ser proibido de tomar decisões na área do futebol.


Vamos testar?


Rubens mostrou habilidade com a bola nos pés pela segunda vez na temporada. Mostrou velocidade num lance que era todo de Manoel, obrigado a jogar para escanteio para não ficar sem a bola. Rubens precisa entrar mais cedo nos jogos, até para ser mais testado - quem sabe, pelos lados do campo. E onde está Renato Bruno, que fez bons jogos no fim de 2016? Às vezes não é necessário gastar R$ 20 mil, R$ 30 mil com jogadores que nem compor grupo conseguem.


Último pitaco. Rafael Jataí, ficando apenas com obrigação defensiva, foi bem diante do Uberlândia, dando mais proteção à defesa. Quem sabe vale testá-lo no lugar de Juninho, ao lado de Blanco, que tem mais força e habilidade para avançar? Pode ser o equilíbrio que anda faltando à dupla de volantes.