Vale a pena o América fazer uma investida por Walter?

Bastou Walter, aquele mesmo, o de perfil avantajado, ser dispensado do Goiás para a imprensa começar a especular sua contratação em alguns clubes. Um deles é o América, já que o Coelhão necessita de um cara de mais nome no comando do ataque e é comandado por Enderson Moreira, treinador de Walter na melhor fase do jogador, em 2012.


A diretoria desconversa e joga para a comissão técnica e para o diretor de futebol Ricardo Drubscky. Sabe-se lá se há alguma coisa de concreto nisso tudo, mas o Pavilhão Americano não vai deixar de se posicionar antes de alguma definição.


A necessidade


Lá em 13 de janeiro (você já sabe que vou citar o texto da análise dos jogadores, mas é importante fazê-lo), uma das conclusões depois de dar pitaco sobre todo o elenco foi essa: “Ataque é uma posição para jogadores mais certeiros, mas o América só fez apostas. Se eles não funcionarem, quem vai fazer gol? Alguém aí aposta que eles vão brigar por artilharia?”.


Naquela época, não dava para cravar que Hugo, Rubens e Pilar brigariam pela artilharia de qualquer campeonato, fosse estadual, Série B, Copa do Brasil ou Primeira Liga.


Até 9 de março, Hugo tem quatro gols na temporada e é dele que mais se espera – é o terceiro melhor marcador no estadual. Porém, dois gols foram de pênalti, e o jogador ainda não mostrou que é confiável para a Série B, dois meses antes do torneio. Enfim, ter alguém para realmente disputar posição com ele pode até beneficiar ambos.


A oportunidade


Quem acompanha os textos do Pavilhão Americano talvez lembre que já escrevi sobre aproveitar o momento de mercado. O América precisava guardar algum dinheiro para o período dos estaduais, exatamente para investi-lo se surgisse alguma oportunidade no mercado.


Walter é exatamente isso, já que foi dispensado do Goiás por agredir um companheiro (ele diz que foi sem querer), algo impossível de prever. Portanto, fui (e sou) contra as vindas de Felipe Amorim e Renan Oliveira, que devem custar juntos algo em torno de R$ 80 mil por mês. É um dinheiro que poderia ser melhor utilizado numa dessas oportunidades.


A realidade


Gazeta Press
Gazeta Press

Walter precisa colocar a cabeça (e o peso) no lugar para ser encarado como jogador profissional


Walter já fez sucesso na carreira, não só em 2012. Tem bons números de gols com as camisas de Inter, Porto e Goiás, também foi bem em boa parte de sua passagem pelo Atlético Paranaense em 2015. Saiu de Curitiba no fim de agosto de 2016 rumo a Goiânia, e desde então são 22 jogos disputados (dez como titular) e três gols, o último em 11 de novembro.


Os números refletem um período de baixa do jogador de 27 anos, o que é natural. Seu peso muito acima da média para um jogador profissional a cada ano pesa mais (perdão pelo trocadilho) em sua performance. Aos 23, Walter ainda conseguia utilizar seu talento para se destacar, quatro anos depois pode não estar mais tendo êxito nisso.


Dizem por aí que o atacante também sofre de depressão, doença com a qual não se pode brincar ou subestimar. Ainda mais para um jogador profissional, que precisa lidar com a pressão de todos os lados, viajar toda semana, dormir e comer de forma saudável etc.


Elder Dias, blogueiro do Goiás no ESPN FC, acompanha Walter de perto e já escreveu vários textos sobre o atacante. Duas frases me chamaram a atenção...



“Walter é um jogador especial, em todos os sentidos do adjetivo, por seu talento e sua história de vida”.



“No Goiás ou longe daqui, vai precisar de uma equipe em torno de si para que volte a brilhar. E não falo de zagueiro, goleiro, meia, companheiro de ataque; é de psicólogo, coach, neurologista, nutricionista, entre outros”.



A sugestão


O América precisa analisar vários pormenores antes de pensar em fazer proposta por Walter.


O atacante precisa de cuidados especiais, mas o próprio Coelhão já conviveu com jogadores acima do peso e não foi bem. Tiago Luís (curiosamente no Goiás) e Alan Mineiro não conseguiram ficar 100% fisicamente enquanto estiveram no CT Lanna Drummond em 2016. O que mudou para acharmos que o América vai colocar Walter na linha? Será que ele deseja estar em forma de jogador profissional?


É evidente que o salário atual de Walter no Goiás (R$ 250 mil mensais) em hipótese nenhuma deveria ser pago pelo América. Simplesmente porque não temos esse dinheiro. Mas ele pertence ao Porto, que poderia pagar uma parte maior de seus vencimentos – hoje, mais sonho do que expectativa.


O melhor mesmo seria que o América propusesse um salário por produtividade em campo, além de bônus se o jogador atingir o peso ideal. Isso pode desafiar Walter a emagrecer e ter condições de mostrar suas habilidades, que são superiores à média atual do futebol brasileiro.


Outra opção interessante seria a devolução de Walter ao Porto sem qualquer tipo de multa em caso de insucesso. Afinal, os portugueses têm os direitos de um jogador problemático, acima do peso e, hoje, antiprofissional.


Que barganha o Porto tem numa negociação de Walter?


Ou eles aceitam pagar quase todo o salário (o máximo que acho desejável para o América é R$ 100 mil mensais), ou arcam com 100% do ordenado.


Walter é um risco, e o América só deveria corrê-lo se tiver todas as garantias de fugir dele sem custos adicionais em caso de insucesso. Se a caneta dos presidentes fosse minha, faria a proposta acima. É o máximo a que chegaria para ter Walter.


Precisamos de um camisa 9 mais tarimbado, mas não temos condições de fazer apostas arriscadas (e caras) demais. Hoje, Walter representa exatamente isso.