América-MG vence, mas precisa convencer também

Aconteceu a tal semana inteira de treinamentos. A próxima será assim também, a um custo de quase R$ 1 milhão, soma da perda da cota da CBF pela 3ª fase da Copa do Brasil e da renda contra o rival azulzinho no torneio mata-mata.


Depois desse período, o que o América deveria ter feito? Matado a partida, simples assim. Um time bem coletivamente pode fazer um gol em bola parada, mas tem que marcar pelo menos mais um no contra-ataque.


O Coelhão não conseguiu aumentar a vantagem cobtra o mais ou menos time do Uberlândia (pelo menos fora de casa) porque não estava muito organizado ofensivamente. O adversário teve duas boas chances, uma com defesa de João Ricardo em cabeçada no meio do gol e outra com a bola passando toda a extensão da área.


Chama a atenção as cobranças de falta. Auro errou feio a primeira, Gérson Magrão também não conseguiu grande coisa na segunda. Os dois até poderiam ficar na mesma bola para confundir a marcação, mas na hora H um deveria ter corrido para a linha lateral esquerda e recebido a bola num passe rasteiro (na passada do companheiro, não um tijolo ou muito na frente) para aparecer livre na linha de fundo e cruzar. Isso se chama jogada ensaiada, mas alguém treinou?


Um time superior ao Uberlândia teria dado mais problemas. E o Cruzeiro é melhor que o time do Triângulo Mineiro.



O grave problema do meio-campo


Enderson Moreira precisa consertar o meio-campo, partir dali para organizar melhor o time. A principal dificuldade dos homens de meio é a marcação. Temos Gérson Magrão, Renan Oliveira e Matheusinho entre os mais ofensivos.


O primeiro quase sempre comete falta no adversário perto da área e leva cartões amarelos (foi expulso por isso contra o Flamengo). O segundo finge que vai marcar, mas nem cerca o adversário, é mole até para dar combate. Ninguém precisa desarmar, mas diminuir os espaços é tarefa de todos. Por último, Matheusinho é pequeno demais e perde no corpo ao disputar espaço com a maioria dos adversários.


Se esses três não sabem cercar e diminuir a tranquilidade do oponente, sobra para os volantes. É por isso que Juninho sempre dá combate lá na intermediária ofensiva, pois, se ele não fizer isso, o adversário será atraído para o campo do América. Quando ele faz isso, porém, abre um buraco na nossa intermediária, o jogador do outro time consegue superar a marcação do volante que sobrou numa tabela e vira um Deus nos acuda!


Magrão compensa a falta de qualidade na marcação com alguns lances ofensivos. Renan Oliveira, ao contrário, na maioria das vezes circunda a jogada, não a acompanha nem dá opção de passe. Numa delas, Auro recebeu dele e esperava que o colega seguisse no lance para ele devolver o passe, mas Renan Oliveira parou de correr, e Auro teve que tentar a jogada individual.


Matheusinho começou errando, mas depois acertou duas jogadas em sequência, a primeira quando finalmente partiu para cima e levou falta. O chute para longe do gol que ele deu foi importante, ele fez o que precisava; se fica com a bola e a perde, era contra-ataque mortal, pois os zagueiros estavam na área na cobrança de escanteio).


Quem sabe aquele ganho de confiança iria ajudá-lo, mas foi exatamente nesse momento que Enderson o tirou de campo. Parte da torcida parece ter elegido Matheusinho como o jogador para vaiar. Ele não pode errar nada que a falta da paciência impera. Não é assim que se torce PARA O AMÉRICA!


Se resolvermos esse problema da marcação no meio-campo, a defesa deve ficar menos exposta, e o América vai segurar mais a bola no ataque, empurrando o adversário para trás e tendo mais chance de finalizar, pois estará mais próximo do gol.


Divulgação/América Mineiro
Divulgação/América Mineiro

Enderson Moreira precisa testar algumas opções no meio-campo


Eis a minha sugestão: Magrão centralizado pode ficar melhor (vale testar, como feito feito quando da saída de Renan, mesmo Magrão parecendo que não será o protagonista), pois pelo lado ele tem que acompanhar o adversário até perto da nossa área, aumentando a chance de fazer falta. Deveria sair Renan Oliveira, que nem deveria ter vindo. Primeiro porque sua produção ofensiva não compensa sua falta de raça na marcação. E ele no lado de campo terá apenas uma avenida com seu nome.


Na ponta esquerda deveria estar Danilo Barcelos, mas a diretoria achou melhor ganhar uma merreca e trazer um reservão eterno como Alex Silva. Tony precisa melhorar muito para ganhar uma vaga de titular. Pode também entrar um segundo atacante, e Felipe Amorim pode ser devolvido ao Fluminense. O melhor mesmo é observar o mercado já pensando na Série B. 


Mais sugestões


Por enquanto, o América precisa contratar três jogadores com pinta de titular para a Série B: um atacante pra brigar por artilharia, um lateral-direito e outro esquerdo. Auro e Pará produzem pouco ofensivamente e se atrapalham demais na defesa - o segundo pode ser devolvido. Para não correr o risco de Hugo dar errado, é bom que se tenha um jogador mais certeiro lá na frente.


Queremos um América mais evoluído coletivamente. Chegamos ao décimo jogo na temporada, mas ainda não vemos um time. Campeonato Mineiro não é parâmetro, já que o próprio Uberlândia, que fazia boa campanha, mostrou que não é lá essas coisas.


Vamos crescer quando? Vamos ser um time quando? Eis o tempo, que não para nem espera.