CBF acerta em cheio ao mudar Copa do Brasil

A CBF, dentre 100 motivos, tem 99 para reclamarmos dela. Porém, pelo menos no regulamento das duas primeiras fases da Copa do Brasil, a entidade que rege o futebol nacional merece todos os aplausos.


E o Pavilhão Americano explica os motivos...


Como era


Na primeira e segunda fases, havia partidas de ida e volta, sendo a primeira na casa do time pior ranqueado. Caso o visitante vencesse por dois ou mais gols de diferença, ele se classificava à etapa seguinte e a volta era cancelada. Caso contrário, disputava-se a segunda partida invertendo-se o mando.


Como será


Na primeira fase só haverá um jogo, com os times melhores posicionados no Ranking da CBF encarando os de pior ranqueamento. Os visitantes têm a vantagem do empate para se classificar e quem vencer segue na competição e ainda acumula 60% da renda – o restante fica com o perdedor.


Na segunda fase, também haverá a partida única, com o mando de campo já definido por sorteio, e ninguém com vantagem do empate. A divisão de renda será a mesma da primeira fase.


O acerto da CBF


É muito fácil entender os motivos que levaram a CBF a mudar o sistema de disputa das duas primeiras fases da Copa do Brasil. A entidade tem patrocinadores que ajudam a pagar os custos da competição, são 14 empresas. E é claro que elas devem ter reclamado muito ou oferecido valores menores por causa do que estava acontecendo na Copa do Brasil.


Antes das mudanças, havia esse cenário...


O time da Série A que precisava participar desde a primeira fase sempre tinha muitos jogos a disputar levando-se em conta todas as competições.


O que ele fazia para descansar seus jogadores principais?


Simplesmente mandava um time misto para Rondônia, Roraima, interior da Bahia etc., para encarar o adversário bem mais fácil. Evidentemente, essa atitude desvalorizava a competição, pois é claro que o patrocinador quer força máxima dos melhores times, pois são esses jogadores que atraem público aos estádios e telespectadores às transmissões.


Por outro lado, o time menor não precisava jogar bola para forçar a realização do segundo jogo e ficar com 60% da renda da partida de ida. E era exatamente isso que as equipes mais fracas faziam: se esqueciam de atacar e só ficavam lá atrás para garantir o empate.


No exemplo abaixo, o Santa Cruz/PE, que acabou rebaixado na Série A, foi de reservas contra o Rio Branco/ES na ida e venceu por 1 a 0. Com Grafite em campo, certamente o jogo teria chamado mais a atenção.


Reprodução/CBF
Reprodução/CBF

O time do Santa Cruz diante do Rio Branco/ES, sem Grafite e Keno, por exemplo


O que se tinha, portanto, era um jogo bastante fraco tecnicamente. Sem os jogadores principais, até mesmo os times mais fortes da Série A perdem muita qualidade. E o jogo ainda ficava muito amarrado, chato de acompanhar, pois o time menor não queria se expor.


Sendo assim, a grande maioria dos confrontos tinha a segunda partida, que também era bem chata do ponto de vista técnico, já que a equipe superior, atuando em casa, vencia fácil o time mais fraco, mesmo sem usar os jogadores principais, deixando de atrair público e desvalorizando a Copa do Brasil.


Num levantamento, o Pavilhão Americano percorreu as últimas quatro edições da Copa do Brasil e constatou o seguinte na 1ª e 2ª fases, 60 confrontos no total:


2016. Apenas oito foram resolvidos no 1º jogo.


2015. Só 14 tiveram uma partida.


2014. Apenas 12 terminaram no jogo de ida.


2013. De novo só 14 tiveram uma partida


No vídeo abaixo, o Londrina venceu o Paraupebas/PA por 1 a 0 fora de casa. Veio a volta e ocorreu a goleada...



Com o jogo único, com certeza o time maior vai precisar do elenco completo para não correr riscos de eliminação, enquanto a equipe menor e mandante vai precisar ir para frente, já que a vantagem do empate é do visitante. Assim, a tendência é que as partidas sejam emocionantes, o que vai valorizar a Copa do Brasil tanto técnica quando economicamente!


Acerto dos grandes da CBF, nem que seja bem de vez em quando!


A situação do América Mineiro


Particularmente, a mudança da Copa do Brasil é terrivelmente ruim para o Coelhão. Simplesmente porque o América é mestre em vacilar contra times menores quando tem que mostrar serviço e fazer o resultado. Tomara que não seja o caso diante do Atlético Acreano, que chamou a atenção na Série D 2016 e chegou a sonhar com o acesso.